Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Dire Straits (1978)

Álbum de Dire Straits

Acessos: 212


Um disco solo não muito bom

Por: José Esteves

30/10/2020

Após a graduação, irmão Mark e David Knopfler queriam entrar na indústria musical. Para tal, ambos conseguiram empregos em suas áreas enquanto tocavam a noite, com seus amigos John Illsley no baixo e o veterano Pick Withers na bateria, com Mark e David assumindo guitarras e vocais. Na busca de conselho, enviaram uma demo para um radialista famoso da região que gostou tanto da música que colocou na rotação; dois meses depois, a banda estaria assinando um contrato para a gravação de um álbum. O disco ficou 132 semanas no top álbuns do Reino Unido, além de conquistar certificação platina.

Os dois grandes problemas do álbum são cumulativos e problemáticos: primeiro, o único membro que se sobressai no álbum todo é o Mark Knopfler, o resto é plataforma para o vocal dele e a guitarra que, apesar de excelente, dá espaço para os outros membros fazerem algo de interessante também e não o fazem; e o Mark Knopfler é o mais perto que a humanidade chegará a fusão da guitarra do David Gilmour com o vocal do Roger Waters, sem fazer nenhum dos dois perfeitamente bem (principalmente com a comparação ao Roger Waters que não é nenhum elogio). A produção do álbum é boa, mas a falta de uma banda de verdade, por falta de palavra melhor, é um pouco incômoda.

Aliado a esse problema, o álbum não apresenta muita consistência quanto a qualidade das faixas em si, parecendo mais um trabalho em volta de “Sultans of Swing” do que um álbum feito para ser uma obra só. Como evidência disso, a primeira faixa do álbum “Down to the Waterline”, tem tudo para ser um protótipo de “Sultans”, mas provavelmente foi feito depois. Existem outras faixas boas no álbum: a balada “Wild West End” é muito bem feita, não é repetitiva (como “Water of Love”, que não só é repetitiva mas é um blues em cima de uma batida de luau hippie, o que não encaixa bem), e a faixa de encerramento “Lions” é o melhor blues rock de um álbum que se dedica pesado a fazer um blues rock e não consegue muito bem.

A melhor faixa do álbum é a clássica “Sultans of Swing”, um rock leve e bem feito, com um dos melhores solos de guitarra da década de 70, o que é dizer bastante. Não é a toa que essa música sobreviveu ao teste do tempo, enquanto o resto do álbum cai mais comumente no esquecimento. O vocal da faixa é bom, a bateria cria um clima interessante, mas se fossem depender desse álbum, a banda não teria o reconhecimento que tem.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.