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Resenha: This Was (1968)

Álbum de Jethro Tull

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Muito bom, mas nada a ver com Jethro Tull

Por: José Esteves

29/10/2020

Sendo o disco debut do Jethro Tull, contextualizar a banda musicalmente se torna um problema a mais. O que sabemos é que inicialmente a banda era um sexteto influenciado pelos Beatles e pelo cenário de blues, com alguns covers de doo-wop (ou seja, a banda não tinha direção nenhuma) e após a conclusão de que manter um sexteto era impossível, se dividiram, ficando Ian Anderson no vocal, Mick Abrahams na guitarra, Glenn Cornick no baixo e Clive Bunker na bateria. Apesar de não ser um flautista inicialmente, Ian Anderson pegou o instrumento frustrado por não conseguir tocar guitarra tão bem quanto Mick Abrahams, instrumento esse que viria a ser uma das marcas registradas da banda. Com um sucesso em um show (após vários fracassos), uma gravadora demonstrou interesse e eles gravaram o primeiro álbum: ao contrário de muitos outros grupos da época, a estreia foi um sucesso de crítica e de audiência.

Se você está procurando o início do som que o Jethro Tull viria a produzir depois, esse álbum não é ele. Sendo o único disco da banda que divide a parte criativa entre o Ian Anderson e o Mick Abrahams, o álbum é um disco de blues com algumas influências de jazz, sem nenhuma pitada de psicodelismo progressivo ou de qualquer tipo de rock. Atenção especial tem que ser dada para o Ian Anderson, que já demonstrava uma qualidade na flauta desde o início, e a Clive Bunker, que simplesmente destrói o kit de bateria nesse álbum, imprimindo exatamente o que ele quer em cada faixa. Infelizmente, a guitarra de Mick Abrahams é boa (na maior parte do álbum), mas simplesmente não brilha com o contexto da banda, sendo dilapidada pela excentricidade do resto da banda que não se conforma com um blues mais óbvio que apresentava na época.

Música a música, o disco apresenta algumas composições de qualidade, mas nada que venda o peixe que é o “Jethro Tull”, sendo exemplificado pelo nome “This Was”, com comentários de rodapé no próprio álbum dizendo que o som não representava mais a banda. A maior parte das músicas são tipos diferentes de blues com poucas influências de jazz (“My Sunday Feeling”, “Beggar’s Farm”, “It’s Breaking Me Up”, “A Song For Jeffrey” e, mais obviamente blues, “Some Day The Sun Won’t Shine On You”) com as outras sendo mais puxadas para o jazz(“Serenade to a Cuckoo” é uma ótima versão de um standard, mas “Cat’s Squirrel” é mais cacôfonico do que jazz).

A melhor música do disco é “Dharma for One”, um instrumental em que todo mundo tem espaço pra brilhar, especialmente Clive Bunker, que decide que ele só tem quatro minutos para brilhar e que se ele não fizer o solo de bateria mais épico que ele puder, todo mundo morre. A música não começa muito bem, mas assim que chega no solo de bateria, parece que a banda toma energia e o resto da música vai crescendo e crescendo. O Clive Bunker definitivamente foi uma surpresa nesse álbum e ele merecia uma música que ele pudesse demonstrar a qualidade toda dele.

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