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Resenha: Feral Roots (2019)

Álbum de Rival Sons

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Um disco pra ficar na história

Por: Marcos Santino

27/10/2020

3 anos se separam desde o lançamento do grandioso álbum Hollow Bones(2016), e a maturidade do Rival Sons tem se mostrado a cada álbum lançado mais evidente. As composições da banda soam cada vez mais natural e com mais identidade com o passar dos anos, o que pra mim é muito bom. Acredito que o Rival Sons já conseguiu criar uma identidade própria que o caracteriza unicamente dentro dos gigantes do rock. Conseguiram se desprender das comparações inevitáveis com o Led Zeppelin, principalmente nos seus 2 primeiros discos, que diga-se de passagem são grandes discos. Mas o que vemos e ouvimos em Feral Roots é uma banda monstruosa atingindo o que acredito ser seu ápice criativo. o disco é na minha opinião o melhor disco de Rock do ano, fácil e pra mim tem tudo para daqui alguns anos ser lembrado como um grande clássico do Rock. Repertório e qualidade é o que não falta.

Falando em qualidade e repertório, vamos ao álbum, que abre muito bem com a já clássica "Do Your Worst". Um riff poderoso de Scott Holiday, que diga-se de passagem, o que esse cara faz na guitarra é uma monstruosidade... cria grandes e poderosos riffs com uma facilidade poucas vezes vistas dantes. O álbum segue com "Sugar on the Bone", outra boa canção mas que pra mim é um dos pontos menos altos do disco. Em qualquer outro disco dos Rival essa música seria um grande destaque, mas aqui ela fica apagada entre tantas preciosidades.
Falando em preciosidade, o que vem a seguir é "Back in the Woods". Com uma introdução de bateria de tirar o fôlego, que sozinha já nos faz esquecer as duas faixas anteriores. O que o Sr. Mike Miley toca nessa música chega a beira o absurdo, e se não bastasse isso, Scott Holiday manda outro riff matador e o vocal de Jay Buchanan chega chutando tudo. Pra mim o disco de verdade começa aqui.
"Look Away" pede passagem a seguir sem deixar a peteca cair, começando um pouco mais calma com uma linda introdução de violão e percurssão seguida por mais um riff petardo de Scott Holiday. Essa é uma das minhas preferidas do disco. Depois dessa sequência parece impossível vir coisa melhor, mas é aí que que "Feral Roots" aparece, a faíxa título é uma jóia preciosa do rock moderno. Poderia facilmente entrar numa colêtanea The Best Of da história do Rock. Que música! E somos premiados ainda com "Too Bad" que vem logo a seguir nos mostrando que o melhor ainda não tinha dado as caras. Scott Holiday(juro que é a última vez que elogio o sujeito nessa resenha) é incansável. Que Riff, que timbre, que pegada o cara tem na sua Firebird... Coisa fina, rara de se ver. Um clássico absoluto, pra mim a melhor música lançada em 2019. Não tenho mais o que falar. 
"Stood By Me" vem com a díficil missão de suceder a incrível canção anterior, e o faz com competência, com uma pegada ao estilo "Good Things" do álbum Great Western Valkyrie.
"Imperial Joy" segue uma linha um pouco mais cadenciada, mas aqui pra mim o vocal de Jay Buchanan está brilhante. E há de se destacar também o grande trabalho do baixo de David Beste, em todas as canções. "All Directions" segue uma linha mais leve, com violões, sons de orquestra ao fundo, uma bela composição, e que no final nos presenteia com um dos momentos mais altos do disco, quando vocês sabem quem manda mais um belo riff, fazem a música crescer de um jeito que fica díficil não destacá-la. 
O disco se encerra com duas belas canções: "End of Forever" e "Shooting Stars". A primeira segue uma linha que me faz relembrar o álbum Hollow Bones, acho que ela se encaixaria perfeitamente no disco. Um primor. E "Shooting Stars" tem uma pegada mais 'gospel', o tipo de canção para fazer o público cantar alto em coro nos shows.

Quem acha que o rock morreu, ou está morrendo, provavelmente nunca ouviu um disco do Rival Sons com atenção. O Rock pode não figurar mais no mainstream, mas no cenário underground está muito bem, e até prefiro que fique assim, longe das FM´s e dos palcos dos programas de TV.

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