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Resenha: Fatal Portrait (1986)

Álbum de King Diamond

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O retrato fatal de King Diamond

Autor: André Luiz Paiz

15/01/2018

"Fatal Portrait" foi lançado em 1986 como o primeiro álbum solo de King Diamond, que agora estava nas rédeas de um novo grupo, formado após o rompimento do Mercyful Fate por divergências musicais. Um álbum marcante, que mostra claramente a qualidade de King como intérprete e compositor, o que viria a se desenvolver ainda mais nos trabalhos adiante.

Primeiramente, é importante dizer que "Fatal Portrait" não possui a atmosfera épica dos trabalhos futuros, como os clássicos "Abigail" e "Them", em que as faixas se conectam e há várias vocalizações e interpretações de personagens. Portanto, "Fatal Portrait" se encaixa como um trabalho mais direto, focado simplesmente em trazer boas composições de heavy metal. Fato positivo ou negativo? Depende pois, pensando na parte vocal, aqui King trabalha com maior ênfase no seu principal recurso, o falsete, fator que agrada alguns e desagrada outros. Assim, pode não ser um álbum indicado como ponto de partida para os novos exploradores de sua carreira. Se você entende esse fator como parte da interpretação e gosta, mergulhe com tudo, pois aqui há muito peso e grandes melodias, que valem o investimento. 
 
As quatro faixas iniciais: "The Candle", "The Jonah", "The Portrait" e "Dressed in White" , além da nona faixa "Haunted", são conceituais compõem a temática principal do trabalho, em que King Diamond relata a história da menina Molly, aprisionada pela mãe para se tornar imortal. O narrador da história relata que enxerga uma face nas chamas de todas as velas que acende. A face é da menina Molly, que pronuncia somente uma palavra: "Jonah". Ele encontra um livro e, através de um feitiço, libera o espírito da garota. Assim, a história segue em frente, mas agora cabe a você conferir.

"The Candle" inicia com introdução macabra e muito peso, seguida da cadenciada e espetacular "The Jonah", destacando claramente as influências de Black Sabbath nas composições de King. "The Portrait" acelera as coisas, porém mantendo a atmosfera sombria. "Dressed In White" também faz parte da história, apesar de não parecer. É a única que não encaixou como as demais, apesar de possuir um refrão com melodia interessante.
Com uma pausa na história, "Charon" chega como candidata ao título de melhor faixa. Pesada e espetacular! "Lurking In The Dark" é mais cadenciada e conduzida pelos excelentes riffs de Andy LaRocque . "Halloween" é um clássico da carreira de King, sendo que o acompanha nos setlists até os dias de hoje. Já a filler "Voices From The Past" é curtinha e passa quase despercebida.
De volta à história principal, "Haunted" finaliza em grande estilo, com melodia, grandes riffs e peso, dando conclusão à história.

Alguns relançamentos vieram acompanhados de duas faixas adicionais: a veloz e sarcástica "No Presents for Christmas" e a ótima “The Lake”.

"Fatal Portrait" não é um clássico, mas serviu perfeitamente como cartão de visita de King Diamond para sua carreira solo, que se tornou algo extremamente relevante e indispensável para qualquer fã de heavy metal.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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