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Resenha: In-A-Gadda-Da-Vida (1968)

Álbum de Iron Butterfly

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Um pouco mais do que um hit e fillers, mas não muito

Por: José Esteves

27/10/2020

Antes do lançamento do disco debut da banda (Heavy), havia dúvidas se o disco ia alcançar as lojas ou não, então grande parte da banda se demitiu da banda, sendo substituído por Lee Dorman no baixo e Erik Brann na guitarra. O disco foi o maior sucesso da banda por causa do hit single epônimo, alcançando certificado platina e sendo a música principal da banda até hoje.

Na maior parte das vezes quando um disco é lançado com um hit single desse tamanho (17 minutos do disco de 36 minutos são dedicados ao épico In-A-Gadda-Da-Vida), o álbum acaba virando “vários fillers e o hit” mais para preencher o espaço do single do que qualquer outra coisa. Esse disco quase cai nessa armadilha, mas o fato é que instrumentalmente, a banda tem bastante qualidade: principalmente Lee Dorman no baixo. Considerando a qualidade do baixo no disco anterior, Lee Dorman era para ter sido uma queda de qualidade da banda, mas ele trabalha tão bem quanto, ou até melhor do que Jerry Penrod. Então, é fácil encontrar qualidade fora do hit single.

O problema é que o propósito do disco foi fazer um rock progressivo experimental em uma época em que isso estava ainda no começo, o que dá um pouco aquela sensação dissonante de “cada membro da banda está tocando uma música diferente” (“Most Anything You Want” e “My Mirage”). O grande brilho do lado A do disco (e que pode ser encarado como a única música memorável do álbum fora o monstro do lado B) é “Flowers and Beads”, uma balada romântica que funciona na voz de Doug Ingle, com harmonias bem feitas e, é claro, um baixo ácido e frenético trabalhando nela toda.

A melhor música do disco, como não poderia deixar de ser, é “In-A-Gadda-Da-Vida”, um rock progressivo de 17 minutos que tem solos de todos os instrumentos que se encontram no departamento de música da loja mais próxima. Todos os instrumentos estão nos seus melhores (com ênfase especial a Ron Bushy na bateria, que permaneceu na banda), o vocal é o mesmo de sempre mas se encaixa muito bem na música, os solos de órgão beiram ao delirante. A banda conseguiu criar uma música que serviria de hino para a utilização de muitas drogas pelas décadas com relativo pouco esforço e reconhecimento.

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