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Resenha: The Symbol Remains (2020)

Álbum de Blue Öyster Cult

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Clássico e moderno sem perder a essência

Por: Diogo Franco

26/10/2020

Ao ouvir o novo do BOC, o que nos salta aos olhos é a produção impecável, que soube deixar a bateria como uma locomotiva pesada e desgovernada, o baixo gorduroso como de costume e a guitarra na medida certa, com timbres ardidos e pesados, sem que se torne uma barulheira insuportável, casando peso e definição de forma correta. 

Eric Bloom é um show à parte, com seus vocais ora meio bêbados (como em Box IN My Head), ora mais enérgicos como em There's A Crime. Aliás, essa faixa tem um riff muito louco, no melhor estilo Buck Dharma e instrumental soando como um Megadeth setentista (o próprio vocal lembra o Mustaine em alguns trechos). Edge Of The World mostra o porquê os saudosistas como eu não tem lá muita paciência pra ouvir bandas novas que remetem aos clássicos, pois os velhinhos quando entram em ação, mesmo soando modernos, soam melhor que qualquer banda de 2000 pra cá. Chega a ser impressionante como não perdem o jeito pra fazer rock dos bons, mesmo em temas digamos mais "leves", como Secret Road, que possui uma levada gostosa que lembra o que o Matchbox Twenty se fosse uma banda mais "nervosa". Stand and Fight começa com um baixo poderoso, pesado,seguido por um riff espetacular e inacreditável de tão simples, algo que o Metallica tenta fazer até hoje,mas nesse caso soando visceral e verdadeiro, sendo uma das melhores do disco. Tainted Blood tem uma cara mais balada aor, valorizando progressões harmônicas incomum, com interpretação magistral de Eric, mostrando que o cara ainda é um grande vocalista, melódico e técnico. The Machine começa moderninha com um toque de celular emendando num riff que lembra Alice Cooper e sua No More Mr Nice Guy, em seguida o riff ganha uma cara própria e a música se torna uma das mais espetaculares já feitas pela banda em toda sua carreira. Com certeza uma canção empolgante para se ouvir ao vivo. Os pontos baixos ficam para a insossa Nightmare Epiphany, com uma levadinha fanfarrona e piegas,o pseudo peso fabricado de The Return of St. Cecilia e a pretensiosa Train True (Lennie's Song) que até começa bem, mas logo depois vira um  rockabilly tosco, tipo o que o Bon Jovi tenta até hoje tornar legal. Voltando às pedradas, That was Me é a faixa de abertura, no melhor estilo consagrado pelos caras : peso, lirismo e uma aura soturna permeando a canção, o mesmo ocorrendo com The Alchemist, onde a bateria soa como um trovão, com um timbre espetacular em uma levada arrastadona, e instrumental meio fantasmagórico, lembrando os primórdios do Sabbath. 

Esse disco é digno de entrar na galeria dos clássicos da banda. É uma pena que muitos prefiram Greta Van Fleet.

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