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Resenha: Be (2004)

Álbum de Pain Of Salvation

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O mais megalômano e grandioso trabalho feito neste novo milênio!

Por: Márcio Chagas

24/10/2020

Este é um trabalho do qual gosto bastante, mas demorei a escrever algo devido a sua complexidade. “Be” pode ser considerado o mais megalômano e grandioso trabalho feito neste novo milênio.

O Pain of Salvation surgiu na Suécia no final dos anos 90 na Suécia, liderado por Daniel Gindelow, se tornando uma alternativa  para os fãs de prog metal, acostumados com o estilo imprimido pelo Dream Theater.

No inicio de 2004 seu líder começou a idealizar um álbum conceitual baseado na existência de Deus e experiências humanas, suas angustias, defeitos e ambições. 

Daniel vinha estudando o conceito há cerca de oito anos, por meio de pesquisas e estudo, buscando também inspiração em várias obras literárias. Com todo este trabalho, o líder conseguiu construir um embasamento forte, extrapolando o conceito que a sociedade atual tem de Deus, não só o Deus cristão, mas diversas outras divindades, desconstruindo o mito divino e  utilizando a ciência atual como base para reconstruí-lo.

O álbum foi divido em 15 faixas que obviamente se interligam para formar o conceito idealizado pela banda. Porém, Daniel dividiu as canções em 5 partes  como se fossem capítulos de um livro, facilitando a compreensão e a unidade de determinadas canções, uma vez que o grupo utilizou vários prelúdios e passagens instrumentais aumentado o clímax do álbum e preparando o ouvinte para o capitulo seguinte.

A sonoridade apresentada é bem ampla, com passagens progressivas sendo intercaladas com outras mais pesadas e até elementos de pop. A guitarra melódica do líder Gindelow faz um contraponto perfeito com Johan Hallgren, que possui um estilo mais sujo e agressivo em seu instrumento.

Fredrik Hermansson, fez um trabalho imponente, utilizando o piano para dar acabamento as várias camadas de teclados sem soar exagerado, como se fosse um Tony Banks revitalizado.

A cozinha formada por Kristoffer Gildenlöw e Johan Langell é ao mesmo tempo pesada e coesa, com passagens técnicas, mas sem firulas desnecessárias, deixando para a guitarra o papel principal.

Para dar acabamento as estruturas complexas e polirítmicas foi chamada a “The Orchestra of Eternity”, uma pequena sinfônica que trabalha lado a lado com o grupo, deixando o trabalho ainda mais complexo e grandioso. 

Apenas a titulo de comparação, seria como se o Pink Floyd (Da fase Dark Side of The Moon) se encontrasse com o Iron Maiden (Fase Somewhere in Time), aproveitando o melhor dos dois mundos.

É difícil destacar musicas em um trabalho conceitual, mas menciono “Imago”,  que aparece logo no inicio, com um quê Jethro Tull,  com Daniel utilizando a  mandola e Kristoffer no baixo acústico;

“Pluvius Aestivus” com seu piano floydiano, ausência de guitarras e uma boa base de orquestra; “Lilium Cruentus”, canção cadenciada, alternando trechos pesados e acessíveis amparados pela orquestra

A ótima “Mr. Money” que possui um sarcasmo contagiante em sua letra sobre dinheiro e poder : “Te darei os carros sexys / e um gosto de divinidade / Um lampejo das Estrelas  / Imortalidade / Mas a Vaidade  te deixará esgotado e marcado...”

Ainda cito “Diffidentia”, um tema genuinamente prog metal. Pesada, cadenciada e claustrofóbica, mais uma vez a orquestra fornece uma boa base para o sucesso da canção; e finalmente “Inter Impius”, tema passional e cinematográfico, apresentado como se fosse o ápice da obra, que se completa com “Martiris Náuticos II”, essa última com um forte apelo folk renascentista.

O álbum foi lançado em setembro de 2004 e o grupo saiu em turnê acompanhado da Eternity orquestra, tocando o álbum na integra e gravando o DVD “Be Live”, lançado no ano seguinte.

“Be” Não é um disco de fácil assimilação e entender as letras é primordial para uma melhor compreensão de toda a obra, porém, é um trabalho conceitual e diferenciado, moldado por muita pesquisa, tanto para a composição das letras como da parte instrumental, levando o grupo ao seu auge e concretizando um dos melhores álbuns do novo milênio.

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