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Resenha: The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972)

Álbum de David Bowie

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Bom, apesar da falta de foco

Por: José Esteves

23/10/2020

Apesar do sucesso de Hunky Dory, David Bowie não tinha muito o que mudar para o seu próximo álbum musicalmente falando: o momento criativo dele era tão impressionante que a maior parte das músicas do álbum haviam sido escritas durante o processo de gravação do álbum anterior. O que resultou foi num álbum com um conceito discutível sobre a maior banda de todos os tempos, que salva a Terra apenas para o vocalista, um marciano chamado Ziggy Stardust, ser morto por seus conterrâneos no palco. O álbum é considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos, conquistando platina no Reino Unido, além de figurar na lista da Rolling Stones de melhores álbuns de todos os tempos.

O conceito do álbum é muito solto, o que causa uma dissonância criativa muito forte nele todo, considerando que o álbum peca exatamente pela necessidade de alavancar esse conceito em todas as faixas, com resultados não muito impressionantes. O baixo de Trevor Bolder é impressionante, dando uma profundidade impar e criando linhas de baixo fantásticas, mas o resto da banda acaba não mostrando muita qualidade, especialmente David Bowie, que por alguma razão decidiu não se dar muitos momentos para brilhar (apesar de, quando brilhar, brilhar intensamente).

Por causa do conceito solto, as músicas não seguem nenhum padrão, coletando de diferentes áreas do rock e do pop da época: como exemplo do pop menos Bowie, temos “Lady Stardust”, que não pareceria fora do lugar em um álbum do Elton John, e como exemplo do rock menos da época, temos “Hang on to Yourself”, que é estranhamente skiffle, um gênero do pre-rock que morreu com os Beatles. De qualidade, temos as carros chefes do álbum (o rock “Moonage Daydream” e a balada “Starman”) e a que fecha o álbum, “Rock ‘n Roll Suicide”, uma balada simples e contundente, que deveria ter chamado mais atenção, especialmente por causa da bateria, que é no mínimo interessante, e do vocal do Bowie que se solta e mostra uma qualidade que só ele tinha.

A melhor faixa do álbum é “Ziggy Stardust”, um rock em que o vocal aparece um pouco mais, com uma guitarra bem divertida. O riff da guitarra é o melhor riff do álbum, o baixo trabalha bem, e o vocal que simplesmente brilha e ecoa melancolicamente durante os momentos em que a guitarra deixa ressoar. Se a experiência do Ziggy tivesse sido mais essa e a Rock ‘n Roll Suicide, esse disco estaria no top 10 de todos os tempos fácil.

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