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Resenha: Why The Sea Is Salt (2016)

Álbum de The Gift

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Vale mesmo por Steve Hackett e Anthony Phillips

Por: Roberto Rillo Bíscaro

23/10/2020

The Gift é um sexteto britânico de prog sinfônico, que lançou seu primeiro álbum, em 2006. A formação atual conta com Mike Morton (vocal), Dave Lloyd (guitarras e voz), Leroy James (guitarras e voz), Gabriele Baldocci (teclados), Stefan Dickers (baixo) e Neil Hayman (bateria). Em outubro, de 2016, saiu seu terceiro trabalho, Why The Sea Is Salt.

Os ex-Genesis Steve Hackett e Anthony Phillips tocam na mesma faixa, a desesperadamente linda The Tallest Tree. Parece Genesis início dos 70’s/Hackett fase Voyage Of The Acolyte/Ant fase The Geese And The Ghost. O violão de 12 cordas de Ant precede solo de flauta de derreter granito, daí entra clima bem folk outonal setentista, antes do sensacional solo de guitarra de mestre Steve, lírico de arrancar lágrimas, especialmente porque vem depois da repetição da flauta. São canções assim que dão orgulho de ser fá de rock progressivo.

At Sea abre o álbum com piano erudito todo respingativo, seguido por seção mais rock, vibrante, com equidade entre guitarra e teclados. Faixa tipicamente “britânica”, na qual o vocal empostado entra quase na metade dos mais de 10 minutos. Sweeper Of Dreams vai em levada quase hard-rock, mas bem ao estilo progressivo, por momentos alinhava-se a música de parque de diversão, polca ou equivalente. Grande guitarrada. Tuesday’s Child abre em clima de vocal angelical, com guitarra lírica e grã-piano, seguido por trecho mais folk violonado, à Lindisfarne ou Moody Blues.

O empecilho para Why The Sea Is Salt ser mais criativamente vasto é o par de canções finais, uma delas com mais de 20 minutos. Num álbum prog, a faixa mais longa falhar em ser interessante o tempo todo – ou pelo menos, na maior parte dele – fere-o de morte. All These Things, que parece falar sobre uma cerimônia de casamento e depois cita o Santo Graal e imagens nada otimistas, tem pedaço com órgão eclesiástico, diversidade de andamentos, como pede o figurino prog, mas não apresenta quase nada marcante. Pelo contrário, há trechos chatos e o vocal nem é o melhor do disco. At Sea – Reprise (Ondine’s Song) fecha o álbum com a fórmula “se a melodia é sem graça, vamos botar um solo genérico e tá de boa”.

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