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Resenha: Never Say Die! (1978)

Álbum de Black Sabbath

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Período clássico

Por: Fábio Arthur

22/10/2020

Entre saídas e voltas, e entre gravações de estúdio e regravações, O Sabbath se viu entre um absurdo de problemas, totalmente imerso em desafetos, drogas e tudo mais. Perdendo espaço ao vivo para o Van Halen e deixando em desejar por diversos pesares, o grupo inglês sofreu de todas as formas possíveis. 

O disco chamado de "Never Say Die" trouxe, além de tudo, um vocal diferente (Dave Walker, Fleetwood Mac), enquanto Ozzy não se dava ao trabalho de voltar para a banda, mas de forma alguma deu certo perante o olhar do grupo, assim, o Madman retornou. 

Eu gosto desse disco, ele tem uma bateria perfeita de Ward, uma produção saudável de punho do próprio grupo e ainda obtém referências musicais mais absolutas, com riffs, arranjos e técnicas diferenciadas. A voz de Ozzy soa muito próxima do que ele faria nos anos oitenta, e o baixo de Geezer aqui floreia de maneira bela.

As canções são muito proeminentes, mesmo que ao vivo o grupo fosse meio que um fiasco - vide o VHS da tour - com a banda presa em si mesma, sufocada pelos excessos e pelo ego de Iommi; enfim, mesmo assim, no estúdio a coisa andou para frente.

Exemplos não faltam. Já de cara "Never Say Die", uma paulada no velho estilo Heavy e Sabbath de ser. "Johnny Blade" muda a direção do velho grupo e traz o Black Sabbath para um novo domínio e "Junior's Eyes" mantém o interesse pelo seu bom tom em melodias, vozes e bateria. "Hard Road" acumula vocal igual ao endiabrado "Sabotage", mas a sonoridade é sutil e mesmo assim a banda agrada em cheio - estamos falando de música e de arte, e não somente de Metal, então... -, o grupo continua dando as caras com "Shock Wave", bem inusitada e em "Air Dance" muda tudo, novamente com entradas melódicas e fluentes arranjos com instrumentação variada. Já em "Breakout", o grupo flui em uma veia até meio Jazz, com sax batendo forte em pouco tempo de faixa, e novamente em vocal solo (além do disco antecessor), Bill Ward manda tudo na faixa "Swinging the Chain", com força voraz de voz em um som desesperado e que fecha a bolacha.

Don Airey (Ozzy, Purple) manda pau nas teclas aqui e o disco foi até bem recebido em alguns lugares, vide também a passagem pelo Top of the Pop's, que gerou uma abrangência ao grupo novamente.

Fica esse como fim de uma fase Sabbath com Ozzy, e creio que fecha diferente e bem.

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