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Resenha: Cultösaurus Erectus (1980)

Álbum de Blue Öyster Cult

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O BÖC reinventado para entrada da "nova" década

Por: Marcel Z. Dio

20/10/2020

Esse é meu disco escolhido dentre todos do Blue Oyster Cult, não sei explicar o porquê, amor a primeira ouvida ou algo próximo.
Falar sobre bandas estranhas é sempre um prazer. Quando se trata de BOC, o prazer aumenta por toda simbologia e letras memoráveis que carregam. Afinal o mundo está cheio do rock óbvio, da sociedade óbvia e do esquema quadrado a que fomos orientados por toda vida.
E com esse disco não dá pra ficar em cima do muro, se você gosta, carrega-o por toda vida como um segredinho entre sua coleção, a julgar pela capa não menos interessante, mesmo que a maioria não ultrapasse três estrelas quando o assunto é julga-lo. Sabendo-se que foi uma resposta rápida ao controverso Mirrors.

Cultösaurus Erectus é um equilíbrio de forças entre o rock deixado nos anos 70 e a especulação de abordagem mais pop vindoura dos anos 80.
Apresenta também a primeira colaboração com o produtor britânico Martin Birch, que viria a produzir Fire of Unknown Origin em 1981.

E como não respeitar um álbum iniciado com Black Blade e toda sua gama de esquisitices e teclados alucinantes ?, It's impossible !.
Como bônus Black Blade continha uma letra enigmática e genial.

Monster apostava forte em riffs pesados, mas ... tão rápido quanto enterro de pobre, ainda mesclava essas partes com temas jazzísticos, a exemplo do baixo bailando pelas escalas.

Divine Wind é o famoso DNA escancarado de BOC, com sua forma absolutamente hipnotizante em melodias de guitarra.

Sei que parece loucura escolher a melhor música da Ostra Azul quando temos os brilhantes anos 70 de Tyranny and Mutation, Secret Treaties e Spectres, ainda assim, fico com Deadline.
Deadline chama atenção por inúmeros detalhes, linha de baixo viciante, licks de guitarra, vocal e um piano ao fundo fazendo melodias suaves. A ressalva final queda-se na letra, de um suposto amante assassino ou "mercador de almas" mostrando a sua "vítima" o quanto o tempo pode ser curto e que sua paciência esgota-se rápido como um copo d' água quando não é obedecido. Claro que a letra abre espaço para conjecturas, esse foi apenas meu chute no entendimento complexo que é a composição do BOC.

The Marshall Plan vem como melodia ao vivo ou feita em estúdio para dar tal impressão. É um rockão a lá Thin Lizzy.
Curiosamente a letra, ou melhor, o título, não é sobre o cenário da Segunda Guerra Mundial, mas sim uma referência ao fabricante do amplificador.

Pode parecer tolice, mas acho que Hungry Boys foi alguma homenagem ou sacanagem a Frank Zappa, pegando dessa forma os "piores" momentos do guitarrista a pintar e bordar em cima de uma letra pra lá de tosca. Sem dúvidas a concorrente mais fraca em Cultösaurus Erectus.

Fallen Angel é tão estranha que recorda uma canção AOR com glam rock. Na época deve ter servido, hoje um tanto cafona e datada.
Já com Lips In the Hills, o BOC mete-se no punk e não deixa pedra abaixo de pedra. Diria que é uma de suas canções mais subestimadas. Um momento mágico em que percebemos que o terreno dessa banda é mais amplo que qualquer imaginário roquista.

Unknown Tongue finaliza em ótima forma, explorando o rock dos anos cinquenta em outros moldes. Puxando o que tinha tudo para ser qualquer nota simplista, para o que nem a ciência explica. Eric Bloom acerta mais uma vez o alvo em sua interpretação.

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