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Resenha: Rage For Order (1986)

Álbum de Queensryche

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O álbum que reinventou o rock progressivo, hard rock e heavy metal

Autor: Paulo Sanches

07/01/2018

“Rage For Order” foi lançado em 14 de julho de 1986 e teve a garbo o brilhante produtor Neil Kernon, que já trabalhou com dezenas de bandas consagradas (Nile, Cannibal Corpse, Nevermore, Lynch Mob, Dokken, Kansas, Daryl Hall & John Oates, Judas Priest ,Yes).

O ano de 1986 foi maravilhoso para heavy metal e hard rock. O mercado estava em alta. Ritmos como new wave, AOR, synthpop e o uso de teclados e sintetizadores moldaram um novo estilo. Aproveitando a onda, muitas bandas tradicionais fugiram um pouco de suas influências, optando por experimentar algo diferente. Desse modo, álbuns como o “Turbo” do Judas Priest (recheado de teclados) “Ultimate Sin” de Ozzy Osbourne (numa linha bem mais acessível) e até o maravilhoso “Somewhere in Time do Iron Maiden” (novidades com inclusão de baixos e guitarras sintetizadas). Enfim, as bandas e produtoras estavam buscando o mercado americano. Talvez podemos pensar que o Queensrÿche optou por lançar algo também mais acessível, mas o caminho seguido foi muito mais radical, experimentalista e inovador.

O Queensrÿche se encontra no seu pico de criatividade, após ter lançado dois grandes álbuns anteriores, “Queensrÿche” (EP 1983) e “The Warning” (1984). Aqui, já havia experiência suficiente para realizar uma grande obra.
Em “Rage for Order”, uma atmosfera muito cativante e criativa permeia todo o álbum, com musicalidade sem limites, em uma mistura de hard rock, heavy metal e rock progressivo, além de muitos elementos de teclado, melodias brilhantes, harmonias vocais e uma excelente produção.

E as composições? Como sempre o Queensrÿche atua com altíssima qualidade. Algumas músicas são muito pensadas e todas possuem mensagem forte, variando da sociedade e da tecnologia crítica até canções sobre sentimentos e amores internos, uma mistura funcional, em que muitos aspectos diferentes são abordados.
O que dizer de maravilhosa "Walking in the Shadows"? Um hit eternizado da banda. "I Dream In Infrared" tem uma atmosfera fantástica e a maneira como Geoff interpreta atinge o coração. "The Whisper" causa impacto com vocais nas alturas, efeitos astutos e um ritmo contagiante, trazendo uma sensação intensa e poderosa para a música. "Gonna Get Close To You", original de Lisa Dal Bello - inclusive Tate foi aluno dela e indico a conhecerem a obra dessa cantora, umas das maiores de todos os tempos - capta brilhantemente uma atmosfera intensa e mantém a música completa, assim como a original. Sobre "Neue Regal", uma música tão estranha e quebrada, e ao mesmo tempo maravilhosa. Harmonias de coro excelentes. "London" é uma linda canção com ótima letra, demonstrando influências de Pink Floyd.

E o que falar sobre Geoff Tate, um dos maiores vocalistas de rock de todos os tempos? Sua emoção, sua técnica e a entrega vocal em cada música é de arrepiar. Sua voz é completamente incrível! Com certeza uma inspiração para muitos dos cantores de hoje em dia. Possui controle total sobre sua voz, não importa a região em que esteja cantando na escala de som. Há vantagem emocional em qualquer momento.

E sobre o restante do grupo?! O trabalho instrumental é maravilhoso, com tudo funcionando perfeitamente. O álbum está cheio de solos de guitarra, notas dissonantes, riffs fudidos de Chris DeGarmo e Michael Wilton, que também estão no auge da criatividade. Scott Rockenfield é um monstro da bateria, inovador com seu estilo agressivo, quebrado e pesado de tocar. Eddie Jackson no baixo é outro monstro. Preciso, técnica marcante e uma pegada impressionante, que vibra pelas suas costas. 

De todos os meus álbuns, “Rage For Order” é o favorito, em conjunto com “Operation: Mindcrime”. Leva algum tempo para se acostumar com ele, por ser muito conceitual e inovador para a época. Mas, apreciando com moderação e paciência, você irá se encantar. 
Um álbum raro e um dos poucos registros da história do rock que consegue esculpir um nicho para si mesmo por ser completamente único e inovador! Furioso e ordenado!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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