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Resenha: Dream (2015)

Álbum de Angie Stone

Acessos: 71


Dando um tempo na baixaria, com boa música

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

17/10/2020

Angie Stone rala desde o final dos anos 70, sendo uma das precursoras dos grupos femininos de rap. Seu trio The Sequence teve 2 canções de sucesso em 1980, pelas quais jamais recebeu pataca, porque era menor e não podia assinar contrato. Dissolvido o grupo, Stone trabalhou com o Mantronix e Lenny Kravitz.

O primeiro solo veio em 1999, quando Angie era quase 40tona. Desde então, lança álbuns regularmente e estendeu sua carreira ao cine e TV. Em 2015, tabloides e TMZ pareciam sua segunda casa: rompimento com namorado, saída tretada de reality show e pau doméstico nervoso com a filha, que resultou na última perdendo 2 dentes, depois que mami golpeou-a na boca com barra de ferro. Tenso!

Felizmente, porém, naquele mesmo ano as atenções se voltaram para o que a norte-americana sabe fazer melhor: saiu Dream, seu sétimo álbum-solo.

Pela primeira vez solteira quando compõe um trabalho, Dream reflete esse momento pós-qeubradeira geral abordando temas que vão da busca pela diversão, admissão de que é uma caça-rolo, conselhos de irmã mais velha e broncas dirigidas ao ex-companheiro.

Dollar Bill abre o “Sonho” em alegre clima electrofunk com palminha e tudo. Clothes Don’t Make a Man e Didn’t Break Me remetem a 2 aspectos distintos da sonoridade da pop black music dos meados dos 60’s; Magnet e Dream são luxuosas baladas neo soul; 2 Bad Habits alicerça-se no doo wop e philly soul; Quits tem gosto de Motown e Think It Over é soul deslizante. Apesar de algumas faixas terem bases retrô, a produção se incumbe de não as deixar datadas, devido à aproximação com o pop.

Angie Stone faz parte do time de divas negras que talvez até pudesse gritar, mas escolhe não o fazer, como Maysa Leak, embora o estilo não seja o mesmo da canora baltimoreana. Sua voz 50tona está um deslumbre, passeando pelos líquidos arranjos e harmonias de cristal de Dream.

Essa coleção de 10 delícias neo soul com tempero pop retrô, de vez em quando, deveria ser ouvido por qualquer amante de música negra ianque.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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