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Resenha: In Concert: King Biscuit Flower Hour, 1975 (1995)

Álbum de Rick Wakeman

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Rick Wakeman na sua era de ouro em uma noite de clássicos

Autor: Tiago Meneses

16/10/2020

Rick Wakeman no seu auge ataca novamente, desta vez o espetáculo acontece no Winterland Theatre em São Francisco, mas como é de se imaginar, não espere nenhuma música diferente do que ele já havia apresentado em discos anteriores, porém, você pode se preparar para se deliciar com novos arranjos para velhos clássicos de sua trilogia essencial (Six Wives, Journey e Myths & Legends). Este muito provavelmente foi um dos seus primeiros shows depois que ele teve um ataque cardíaco, porém, ao invés dele levar as coisas com mais calma, o mago parece mais agressivo do que nunca. 

Fazer uma análise mais profunda em cada faixa seria uma perda de tempo, pois todas podem ser encontradas em inúmeras versões originais dos três discos citados, em vez disso, acho mais interessante focar nas diferenças entre as versões, sendo isso o que deixa este disco tão atrativo. 

A primeira parte de "Journey to the Centre of the Earth" é menos pomposa do que a original, porém, é mais rápida e de uma abordagem bem mais moderna do que a encontrada na original. Se bem que se você tem um par de trombas e trombones em vez da Orquestra Sinfônica de Londres, não tem como não soar diferente. Novamente os vocais ficam por conta de Ashley Holt, que nunca consegui aprovar 100%, mas ás vezes parece se adequar. 

“Catherine Howard” é uma das minhas músicas preferidas de Six Wives of Henry the VIII. Algo óbvio nos concertos de Wakeman é que ele sempre foi a estrela mais brilhante, porém, aqui podemos citar mais dois nomes que brilham também quase tão intensamente quanto ele, John Dunsterville no violão em uma apresentação no maior estilo flamenco, além de Tony Fernandez e a sua bateria poderosa. É certo que as pessoas vão assistir principalmente a Rick, mas acabam aplaudindo de pé também estes dois músicos. "Lancelot & The Black Knight" não tem muitas coisas novas, é mais rápida, mas Rick parece aumentar a velocidade no palco respeitando a versão original.

“Anne Boleyn” é aquela música que dentro do menu de Rick sempre parece ser o prato principal, logo, desta vez não é exceção. Quando uma pessoa o ouve tocando as seções do piano é difícil acreditar que é um instrumento tão complexo,  afinal, ele faz soar fácil. A música se desenvolve novamente em um andamento mais rápido, sem deixar de ser uma obra-prima. Como em "Catherine Howard", a segunda estrela é Tony Fernandez, o cara é um baterista excepcional, deve ser um pesadelo tocar com Rick sendo que o mago é conhecido por improvisar dependendo do seu humor, mas Tony nunca perde um hit, não importa o quão complexo a música fique, o cara é quase um metrônomo humano. 

“Forest” é a conclusão da nova versão de “Journey to the Center of the Earth”. Eu só preciso de uma palavra para descrever esta nova versão, "FRENÉTICO". “Arthur And Guinevere” é um belíssimo épico de quatorze minutos e que descreve os personagens principais de Myths & Legends. Assim como aconteceu em “Lancelot & The Black Knight", Rick é bastante respeitoso em relação a versão original, mas acho justo dizer que Ashley Holt conseguiu se acertar muito bem nessa música, criando uma ótima atmosfera de Trovador Medieval, um estilo que ele sempre parece se sentir bem mais confortável. As seções de pianos na faixa são no mínimo maravilhosas. 

“Merlyn The Magician” é aquele tipo de música perfeita para Rick mostrar o quão bom tecladista ele é – tanto que a utilizou em partes dos seus solos de teclado nos anos 80. Rápido como quase nenhum outro, mas sempre sem perder força e precisão, não tem como, por mais que outros possam brilhar em alguns momentos, Wakeman sempre deixa claro quem é o dono do show e não permite que ninguém roubar isso dele. 

“Catherine Parr” é a faixa que encerra esta compilação ao vivo gravada em 1975. Wakeman faz uma estranha interpretação da faixa, mais vibrante, mas sem perder o mesmo espírito. A seção final de órgão é maravilhosa. 

Com certeza todo fã de progressivo já ouviu as versões originais dessas músicas, mas In Concert tem versões diferentes e algumas até mais poderosas das já conhecidas faixas, sendo que essa é a sua maior virtude. Rick Wakeman na sua era de ouro em uma noite de clássicos.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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