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Resenha: The Symbol Remains (2020)

Álbum de Blue Öyster Cult

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Excelente retorno

Autor: Marcel Z. Dio

16/10/2020

2020 em pandemia, ano estranho e novo disco do Blue Oyster Cult?. Nada mais assombroso que viver esses tempos e deparar com a nostalgia da Ostra Azul, para esquecer tudo ou pirar de vez.
Bom ... sei que todo mundo esta rasgando o verbo para o disco, rasgando o verbo no bom sentido. É certo que não dá para analisar a obra do BOC tão facilmente, principalmente as letras soturnas que eles elaboram, então não entrarei tanto no mérito das mensagens, alguma pontuação aqui e acola e se ater ao instrumental.

Faixas :

Os riffs introdutórios de "That Was Me" animam bastante, embora o instrumental seja bem arroz & feijão. Dessa forma a música fica bem centrada no trecho de guitarra que se repete pela maior parte do tempo, quando ... uma peça de reggae mistura-se ao resto.
A letra envolve aspectos de um serial killer ameaçando uma mulher com as loucuras que pode fazer. Pode bem ser aproveitada em alguma trilha de filme.

"Box In My Head" tinha tudo pra ser um "hard rock zinho" sem vergonha, mas os riffs são puramente a essência da banda. Não tem como expressar em palavras, é o mesmo que ouvir algo as escuras de Tony Iommi e pontuar : - Ei!, isso é coisa do Sabbath. É ... Buck Dharma também tem esse poder!.

"Tainted Blood" roda por um tempo em vídeo, mas sem novidades. Conta com um bom refrão oriundo do AOR ou escola de bandas hard oitentistas. Então, vale mesmo pelo refrão e excelente solo, nada de novo abaixo do sol.

"Nightmare Epiphany" rouba um pouco do country e faz uma salada com o rock. Não diria que é ruim, de forma alguma, apenas mediana e com uma bateria altamente repetitiva.

Unindo a modernidade com o passado da banda, "Edge of the World" tem passagens interessantes. A coisa esfria mesmo com "The Machine", em notas que soam mais do mesmo dentro do álbum, o tipo de faixa que tenta empolgar e falha feio.

"Train True" (Lennie's Song) não fica muito atrás de "The Machine" quando o assunto é ser trivial. E apostar novamente no country ou mais precisamente o blueglass, só pioram as coisas. Como dizemos no jogo de dominó : - passo a vez !, e assim digo o mesmo para "The Return of St. Cecilia".

A figura muda de forma especial em "Stand and Fight". Bem pelo baixo pronunciado e instrumental muito parelho ao heavy metal de Anvil e cia. O vocal de Eric Bloom mandou avisar que está em ótima forma. Talvez seja a faixa mais variante e a melhor do álbum. Eis a parte traduzida de seu ótimo refrão:

"Fique e lute!
É fazer ou morrer!
Um apelo aos braços
Para você e eu!
Fique e lute!
Para a vitória!
Vamos fazer nossa própria história!"

O folk de "Florida Man" foi uma das que mais curti em The Symbol Remains, principalmente o refrão que gruda como cola. O leitor deve estar xingando e pensando : "como esse maluco descarta The Return of St. Cecilia e enaltece "Florida Man" ?. Bom, a unica resposta que tenho é que é tudo questão de gosto, fazer o que ?.

"The Alchemist" é um retorno bem vindo a união do instrumental soturno e letras idem, feitas em trabalhos como Spectres. A pontuação acima, aliado ao vídeo, deixam as coisas mais claras nesse sentido. Falar sobre alquimia e segredos perdidos no tempo é algo que o BOC faz com propriedade.

Um pop rock agradável é o que encontramos em "Secret Road". Pode conferir e ver como como seus acordes tem uma sutileza que agrada gregos e troianos, como alguma canção tirada ou roubada de Wishbone Ash, e só por ai estamos bem servidos, citar Wishbone Ash é sempre carimbo de qualidade.

"There's a Crime" é um excelente hard rock, com toda profusão das guitarras reinando nas escalas pentatônicas, e também deixa espaço para que o baixo e a bateria mostrem suas habilidades.

Como irmã gêmea de "Secret Road", "Fight" fecha bem o disco. Os efeitos de teclados lhe conferem um valor a mais, e se o instrumento em questão fosse mais explorado, The Symbol Remains subiria uma estrela no meu conceito.

O lançamento de BOC não é o melhor em sua discografia, todavia, pode entrar no meio da tabela e até morder uma classificação para a repescagem da "libertadores do rock" como sendo o sexto ou sétimo melhor de sua carreira. Só peço que ouçam pelo menos duas ou três vezes, pois a primeira escuta pode soar comum e na segunda vez em diante o amigo roqueiro começa a sacar o pulo do gato.

Formação :

Eric Bloom – guitars, keyboards, vocals
Buck Dharma – guitars, keyboards, programming, vocals
Richie Castellano – guitars, keyboards, programming, vocals
Danny Miranda – bass guitar, backing vocals
Jules Radino – drums, percussion, backing vocals

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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