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Resenha: The Rise of the Phoenix (2017)

Álbum de Chanté Moore

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Fênix não-renascida

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

16/10/2020

Chanté Moore cresceu cantando em igrejas, devido à influência de seus pais evangélicos, mas o que sempre quis mesmo foi adquirir fama profana. Participou de concursos de beleza, foi modelo e no começo dos anos 90 iniciou carreira como cantora profissional, lançando álbuns. Seu maior êxito até agora foi Chanté's Got a Man, faixa do LP de 1999, que entrou para o Top Ten da Billboard.

Multitarefas, também virou atriz e estrela de reality show sobre R’n’B, um dos únicos canais possíveis para certo tipo de soul music mais “tradicional” obter algum destaque, de acordo com cantoras como Jazmine Sullivan e Angie Stone.

Em 2017, lançou seu sétimo LP, The Rise Of The Phoenix, que saiu no finalzinho de setembro e não chegou nem ao Top 20 da parada específica de R’n’B, da Billboard.

Pena, porque Moore canta bem e a sonoridade é apropriada para fãs de urban soul e pop soul de alguns anos atrás. Soa contemporâneo, tem influência de hip hop às vezes, mas não é aquela coisa nervosa pós-trap.

Entre canções e vinhetas, o álbum é estruturado como uma jornada, afinal, o título sugere repaginação, reinvenção, através da ave mitológica que renascia das cinzas.

Os 3 interlúdios – 2 erroneamente nomeados, porque interlúdio tem que estar no meio de algo –, que convidam e agradecem o ouvinte a participar da jornada, não prejudicam, porque têm melodia legal, especialmente o primeiro, que corretamente seria prelúdio.

O empecilho para essa Fênix voar é que o álbum dá a sensação de ser excessivamente longo, devido à presença de muito material genérico, daquele tipo de pop soul ou soul ballad ou apenas balada, que já ouvimos repetidas vezes desde os anos 80. Por mais que ame o drama de Breathe ou Saving Grace não dá para esconder sua falta de qualquer traço de originalidade.

Em termos de destaque, vale a delícia sapequinha de Offa You, com seu instrumental sensual. You’re so sexy, you’re so sexy! Fiquei com isso na cabeça dias a fio.

Há a intensidade R’n’B de Chasin’ e baladas mortais, como a blueseira I’d Be a Fool e seu vocal-arraso, cheio de modulações e a mesma proficiência em Super Lover, mas em chave R’n’B cinquentista, mas que soa moderna. On His Mind também é bem contemporânea, mas mais pop. Pray é pop soul sensual sobre se apaixona por um malandro sedutor.

Selecionando bem as faixas, fãs de urban soul e quiet storm curtirão tranquilamente.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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