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Resenha: Meddle (1971)

Álbum de Pink Floyd

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Experimentações mais arbitrárias do que planejadas

Autor: José Esteves

15/10/2020

Crítica: Levemente Favorável

Sem muita direção e tempo para criação, a banda decidiu fazer uma série de experimentações que culminou na criação do sexto disco, Meddle, entre os shows da turnê. O disco foi bem recebido criticamente e financeiramente, apesar de nos Estados Unidos não ter feito uma marca muito grande por falta de publicidade da gravadora. Contudo, o disco recebeu certificação disco de platina e virou a base do “Live at Pompeii 1971”.

O sentimento de experimentação articulada do disco passado (“Atom Heart Mother”) não está mais no ambiente, criando uma sensação mais clara de uma experimentação mais arbitrária. Isso definitivamente não é ruim, mas o disco tem claros momentos baixos e altos, onde o psicodelismo é deixado de lado para a entrada de um surrealismo que não é o forte do Pink Floyd. Em compensação, é mais um dos discos na escada que se tornaria o que o Floyd viria se tornar, com alguns dos elementos mais sombrios do Roger Waters mostrando a cara aqui e ali.

O lado A é mais dinâmico que o lado B, com algumas músicas tendendo a rompantes felizes (“San Tropez” e “A Pillow of Winds”), apesar de haver músicas que são claros protótipos do que viria no futuro (a instrumental “One of These Days” parece ter ficado de fora do Dark Side no último momento). É necessário mencionar que esse é o disco que tem uma música que um cachorro canta (“Seamus”) e ela é péssima, porque é um blues com um cachorro fazendo back vocal.

A melhor música do disco é o lado B inteiro, “Echoes”, um rock progressivo com vocais assombradores do David Gilmour com o Rick Wright e uma linha de baixo dos melhores que o Roger Waters produziu na carreira. A música inteira foi baseada em alguns acidentes originais de gravações (o teclado parece um radar de submarino e o meio é contaminado por estranhas sirenes), mas uma viagem de 24 minutos do Pink Floyd será sempre uma boa viagem.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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