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Resenha: Mammoth (2011)

Álbum de Beardfish

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Mammoth é um progressivo moderno de forte interação instrumental

Autor: Tiago Meneses

14/10/2020

Eu sou meio suspeito para falar de qualquer álbum da Beardfish, pois eu simplesmente amo todos eles. Então, antes de tecer qualquer comentário eu já adianto que este disco é definitivamente muito bom. Há a possibilidade de notar algumas nuances de Gentle Giant, embora a música da banda, claro, tenha um estilo bem original. Algo que gosto sempre de mencionar em relação à música da Beardfish é que embora ela seja bastante acessível, às vezes é preciso de varias audições até que o álbum possa atingir um nível mais emocional, mas deixando claro que isso é algo pessoal, logo, obviamente, varia de indivíduo pra indivíduo. No entanto, eu garanto que uma vez dentro da música, a experiência é excelente. Mas até mesmo antes deste contato emocional é possível reconhecer que este é um álbum bem feito, com temas musicais claros e sólidos, além de uma boa execução. 

A beleza de Mammoth está dentro daquilo que é comum a banda fazer, ou seja, um estilo único de música. Quando basicamente não se trata de algo fácil de ser digerido por completo inicialmente, a cada audição tudo tende a crescer de forma constante no ouvinte e, uma vez sendo aceito, o som permanecerá lá pra sempre. Ouvir um disco várias vezes seguidas pode inicialmente parecer algo maçante, no entanto, quando falamos de uma banda como a Beardfish, em cada uma das vezes a experiência é diferente. As combinações de todas as faixas soam maravilhosamente coesas, parecendo que estamos na verdade ouvindo uma longa faixa composta por sete movimentos/partes. Algo a se destacar também no disco são as harmonias entre os instrumentos e a linha vocal, são no mínimo excelentes; eles soam como se tivesse cada um se movendo pra uma direção diferente, porem, se juntam em determinado ponto e criam ótimas harmonias. Existem complexidades à medida que a música flui de uma faixa para outra. Por exemplo, a faixa mais longa do álbum, “And The Stone Said: If I Could Speak” e os seus mais de quinze minutos, existe uma combinação equilibrada de arranjos complexos e também de arranjos mais simples. Existem excelentes mudanças de ritmo e estilo entre um segmento para o outro com peça de transição suave – ainda que algumas tenham mudanças abruptas. 

Cada vez que eu escuto algum álbum da Beardfish, eu lamento o fim da banda que ocorreu em 2016, e tento manter dentro de mim uma chama que acredita que tudo não passa de um hiato e que logo a banda estará de volta. Com a consistência de sempre, através de Mammoth a banda apresenta um progressivo moderno de forte interação instrumental.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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