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Resenha: Free (2006)

Álbum de OSI

Acessos: 62


Acessível e pouco desafiador

Autor: Tiago Meneses

14/10/2020

Costumo dizer que os supergrupos de rock progressivo são consistentes de duas maneiras. Primeiro, eles são obrigados a criar um nível de empolgação para os fãs de quaisquer dos artistas envolvidos e, segundo, eles quase sempre decepcionam – o que não quer dizer ruim, apenas no geral a expectativa é tão elevada que fica difícil deles a atingirem. Embora os “supergrupos” de jazz funcionem porque eles são focados nas habilidades e musicalidade dos membros, é extremamente raro que um grupo de músicos consagrados coloque um grande esforço ou ambição em um projeto que não faz parte do se carro chefe, ou seja, da sua banda original. Mas tudo bem, independente disso a OSI provou ser algo além do que simplesmente um empreendimento único. Quem lidera o grupo é Kevin Moore, nome mais do que conhecido para qualquer fã de Dream Theater devido a sua passagem pela formação “clássica” da banda. Juntando-se a ele está Jim Matheos da Fates Warning na guitarra, Joey Veras, um dos fundadores da Armored Saint e que também viria a tocar na Fates Warning, além de Mike Portnoy na bateria, este creio que dispensa qualquer apresentação. Na teoria é impossível não imaginar que estamos diante de uma banda que vai deixar satisfeito qualquer fã de metal progressivo ao redor do mundo. Porém, a banda compensa a expectativa dos fãs? 

Free é o segundo álbum do projeto. Algo que fica bastante evidente em cada uma das músicas aqui é de que OSI se trata de uma entidade separada de qualquer outro trabalho de algum dos membros da banda ou de bandas “mais conhecidas”. Talvez se quisermos forçar a todo custo chegar com o seu som perto de algo, provavelmente seja ao feito pela Chrome Key de Kevin Moore, ainda que a OSI traga um elemento de metal. Em sua essência é mais certo definir este disco como um disco de hard rock atmosférico, complementado com riffs fortes, ganchos vocais cativantes e bastante ambiente eletrônico para tornar as coisas mais interessantes. Embora possa ser visto como algo diferente do primeiro álbum, Free é um esforço muito dirigido pelo teclado, e considerando que Kevin Moore também está fazendo o trabalho vocal, está claro quem é a estrela do show aqui. Do ponto de vista das composições, todas as músicas do disco são bastante fáceis de digerir e soam muito agradáveis. A voz de Kevin Moore é bastante calorosa, no mesmo tempo que não soa tecnicamente qualificada, porém, isso funciona muito bem com o estilo direto que a OSI busca apresentar. 

A produção deste disco da para a banda uma sonoridade comparável a encontrada em discos da Porcupine Tree, e embora não exista quase nada que possa surpreender um ouvinte de rock progressivo experiente, a gravação rica e profissional dá a esta coleção de músicas um enquadramento perfeito. A abordagem de Kevin é pessoal e sincera, embora a natureza unilateral do álbum tenda a prejudicar o seu efeito duradouro. Embora OSI possa levar o ouvinte por melodias mais pesadas e baladas mais suaves, a ressonância emocional é a mesma ao longo deste álbum e, como tal, torna Free um disco acessível menos desafiador. Para os fãs de Dream Theater e Fates Warning, Free oferece sim algo novo, mas o prazer diminui quando o ouvinte vai ganhando mais familiaridade com o trabalho. Kevin oferece uma ótima performance durante todo o álbum, mas essa brevidade poderia ter sido compensada por uma experiência mais baseada em banda. Embora haja um elenco completo de músicos, o centro das atenções em Free está voltado para melodias de rock baseado em ambiente eletrônico, e com isso os demais artistas não conseguem obter o grau de exposição que seus fãs poderiam esperar.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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