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Resenha: Planets (1981)

Álbum de Eloy

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Planets é rock sinfônico espacial de primeira linha

Autor: Tiago Meneses

14/10/2020

Na época em que Planets foi lançado, para os fãs mais radicais de rock progressivo, o álbum soava quase como um oásis no deserto. A visão de uma grande parte das pessoas era de que o rock progressivo estava realmente “morto”. Planets então acabou sendo uma ótima escolha para quem quisesse um disco novo, e que não trouxesse consigo nele sonoridades que em nada lembravam os ainda recentes anos de 1970. Já havia um tempo em que eu não escutava este disco, e ao ouvi-lo novamente, percebo que é um erro deixa-lo de lado por tanto tempo, afinal, se trata de um álbum excelente. Para uma pessoa que nunca ouviu nada da banda, eu acho que Planets seja uma melhor porta de entrada até do que outros clássicos lançados anteriormente pelo grupo. 

“Introduction” possui menos de dois minutos, mas define o tom de todo o álbum. Ela flui em uma atmosfera tranquila para a segunda faixa, “On the Verge of Darkening Lights”, uma canção edificante que tem em sua abertura um trabalho lindo e otimista. O teclado é quem domina a música. A qualidade vocal é muito boa. Possui um solo de teclado que ao mesmo tempo em que é simples, também é bem agradável – além de ganhar força devido as fortes linhas de baixo e bateria. A música como um todo é executada de uma maneira enérgica. 

“Point of No Return” continua o álbum através de uma transição feita em um teclado espacial em um andamento mais lento. A maior beleza desta faixa reside no som de teclado na parte de trás dos demais instrumentos que preenche a linha alternada com a voz. Trata-se de uma ótima composição e de excelente melodia. A guitarra só é usada mesmo no final dos compassos para acentuar a música. As linhas de baixo também desempenham um papel muito importante nessa faixa. No geral, podemos chamar esta composição de algo como um rock sinfônico espacial. 

“Mysterious Monolith” começa com uma bela combinação entre preenchimentos de guitarra e sons de teclado, seguido por um vocal poderoso em uma passagem tranquila. A música segue serena com um trabalho de baixo bastante óbvio. O teclado então entra na música de maneira suave, sendo seguido por alguns efeitos. O baixo fornece uma transição que vai mover a música para um ritmo um pouco mais rápido, explorando as funções dos teclados. A guitarra é usada como seção rítmica. A exploração do teclado no meio da faixa é simples e melódica – impressionante como a banda consegue construir tantas coisas dentro de simplicidades. Há uma quebra com solo de baixo acrescido de efeitos sonoros de teclado que oferecem uma nuance espacial futurista. 

“Queen of the Night” tem um começo bastante melódico acompanhado por uma orquestração. A música vai se movendo em uma crescente com batidas seguidas de bateria e backing vocals femininos. Parece meio pop inicialmente, mas vai muito além. Sem dúvida alguma que a orquestração ajudou muito o fortalecimento da composição. Esta música em termos de comparativo seria como se a Electric Light Orchestra tivessem gravado uma música bastante espacial. Além da orquestração, também adoro os vocais. 

“At the Gates of Dawn” é uma faixa instrumental que possui um piano, teclado e violão tocados de uma maneira muito suave. A melodia é feita por meio do som do teclado ao fundo, fazendo com que a música ganhe uma nuance espacial muito boa. No meio da faixa é adicionada uma orquestração. No geral esta faixa serve como uma pausa para respirar. 

“Sphinx” traz a música do álbum para um clima de andamento médio, mantendo a natureza das composições anteriores, ou seja, usando o teclado como o pilar principal em sua estrutura. Novamente a banda encaixa uma passagem muito boa no meio da faixa, onde se transforma em uma passagem mais silenciosa com o vocal apoiado em uma exploração do teclado. Há um solo de bateria bastante simples – até meio pop -, mas que se encaixa muito bem em toda a estrutura da música. 

“Carried by Cosmic Winds” é uma música muito boa e que fecha bem o disco. Abre com alguns sons melódicos de teclado que trazem a música para a linha vocal. Falando em vocal, a qualidade dele aqui é muito boa. Quando a faixa entra com todos os instrumentos, o som do órgão é quem serve como melodia principal, seguido por um solo de teclado para acompanhar as vozes femininas de apoio. Alguns sons de teclado emulam sons de violoncelo e violino, fornecendo assim um toque de orquestração à música. Excelente final de disco. 

No geral, Planets é um disco super recomendado. Apesar de sua composição relativamente simples, o álbum contém muita qualidade em todas as faixas, o que faz dele um trabalho muito coeso. Planets é rock sinfônico espacial de primeira linha.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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