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Resenha: Obscured By Clouds (1972)

Álbum de Pink Floyd

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Trilha sonora que deixa a desejar

Autor: José Esteves

14/10/2020

Já com o disco seguinte em fase de concepção (“Dark Side of the Moon”), o diretor do filme More, Barbet Schroeder, pede uma trilha sonora para o novo filme, La Vallée. A banda aceitou o projeto, apesar de posteriormente brigar com a companhia cinematográfica, fazendo o Pink Floyd lançar o disco cortando relações com o filme. O álbum é muitas vezes ignorado pelos historiadores do Pink Floyd (assim como é o “More”), mas recebeu críticas mistas a positivas na época e retroativamente, além de alcançar a certificação ouro.

Pelo fato dele ser uma trilha sonora, a banda decidiu usar uma versão não finalizada do filme e um cronômetro para saber exatamente o que fazer em que momento. Por isso, o disco não tem uma coesão em si, requerendo o filme para fazer mais sentido, além de ter muitas faixas cujo intuito é “não se meter muito”, servindo mais como música ambiente do que qualquer outra coisa. Existem músicas boas nesse álbum, mas os membros não parecem estar com a corda toda: talvez se o David Gilmour soubesse que ele não teria mais input na banda até meados da década de 80, ele teria feito mais, mas o que ele faz é bem razoável, sendo o membro mais brilhante do álbum. O Richard Wright tem momentos de brilhantismo, mas definitivamente, o Nick Mason e o Roger Waters são quase figurinhas de apoio.

O disco carece de hits, mas tem aqui e ali algo que pode satisfazer os fãs mais fissurados na banda: existem algumas com umas tendências rock anos 60 (“Free Four” e “The Gold It’s in the…”) e instrumentais de qualidade variável (melhor é “When You’re In”, enérgica que parece inspirar o The Wall, pior é “Mudmen”, que é uma reciclagem de “Echoes”). Apesar de tentativas valentes, o esforço final ainda é o mesmo: não é o Pink Floyd no seu melhor, mas definitivamente não é o pior deles.

A melhor faixa é “Wot’s… Uh the Deal”, uma balada acústica folk do disco. Eles haviam se embrenhado no folk rock no passado com um misto de sucessos e fracassos, mas essa seria a cereja folk do bolo selvagem da banda. A voz do David Gilmour é genuinamente especial para o momento e o piano de Richard Wright conduz a música de verdade.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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