Para os que respiram música assim como nós


Resenha: The Endless River (2014)

Álbum de Pink Floyd

Acessos: 72


Nada muito impressionante

Autor: José Esteves

13/10/2020

Vinte anos após o lançamento do “Division Bell”, David Gilmour reúne material não usado do projeto de 94, regrava umas partes e lança como o último álbum de inéditas da banda. Infelizmente, após o lançamento, David Gilmour e Nick Mason falaram que seria o último material da banda, com Richard Wright tendo morrido em 2008 e Roger Waters não se mostrando muito comiserativo com o destino do Pink Floyd. O álbum quase integralmente de instrumentais foi bem recebido financeiramente assumindo a primeira posição das tabelas britânicas, o que permitiu a conquista da certificação ouro nas paradas americanas, mas foi recebido mornamente pela crítica, que citou a falta de ambição do álbum como uma de suas falhas.

O álbum é claramente um apanhado de músicas de outra época, mas o estranho mesmo é considerar a época em que essas faixas foram gravadas. Muitas delas mostram evidências claras de nostalgia ao Wish You Were Here e ao The Wall, exemplificando que o Dark Side of the Moon é um padrão inalcançável. No entanto, a guitarra do David Gimour ainda brilha aqui e ali, a bateria do Nick Mason está estranhamente cativando para um instrumentalista que nunca foi o foco da banda, e o Richard Wright está chato e pouco criativo: uma pena considerando que são as últimas gravações do tecladista, mas se tem alguém que esclarece as influências de álbuns passados é ele com seu teclado.

Basicamente, o disco pode ser dividido em quatro faixas gigantes, com um vocal bem fraco apenas na última (“Lost for Words”). A primeira megafaixa gigante é uma carta de amor à “Shine On You Crazy Diamond”, especialmente na segunda parte, “It’s What We Do”. A segunda megafaixa é uma construção bizarra com todos os elementos ruins de “A Momentary Lapse of Reason” e todos o psicodelismo sem direção do “Ummagumma”, sendo facilmente o ponto baixo do álbum (apesar de começar muito bem com a “Sum”). A terceira megafaixa tem todas as influências do “The Division Bell” e algumas influências de “Wish You Were Here”, com uma parada episcopal de órgão no meio que vem do nada e não conquista nada (“Autumn ’68”). A última megafaixa é a única que tem alguns elementos traços do “Dark Side”, principalmente na parte “Surfacin”, mas no geral, é só o New Wave do Pink Floyd pós “Final Cut”.

A melhor música do álbum está na terceira megafaixa, “Allons-y (1)” e “Allons-y (2)”, basicamente a mesma faixa em volta da parada episcopal de órgão do Dick Wright. É a única parte com um pouco mais de pulso e mais rock, que lembra algo que o Pink Floyd talvez fizesse no meio da década de 70, o que é sempre um bom momento. A guitarra do David Gimour, como sempre, é um espetáculo a parte.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: