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Resenha: Super (2016)

Álbum de Pet Shop Boys

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Super é super

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

13/10/2020

Os Pet Shop Boys (PSB) são da segunda geração synthpop, aquela que já utilizava sequenciadores, seguindo a trilha aberta pelo fundamental single Blue Monday, da New Order (1983). A partir da segunda metade dos anos 80, a popularidade da dupla ascendeu e o ápice aconteceu no início dos anos 90. Foram tão poderosos que Morrissey reclama em sua autobiografia que os executivos se preocupavam bastante se as declarações polêmicas do ex-Smiths afetariam a imagem [leia-se vendas] de Neil Tennant e Chris Lowe, seus companheiros de gravadora.

Os Garotos da Loja de Animais de Estimação jamais pararam de lançar álbuns ou excursionar, mas aparecer em programas populares de TV e tocar em rádios de audiência maciça é outra história. Assim, ouvintes ocasionais não têm mais o duo em seus radares, a ponto de o vocalista Tennant relatar que motoristas de táxi ocasionalmente perguntam se estão aposentados.

Super captura os coroas britânicos ainda em muito boa forma com Super. É uma delícia eletrônica vibrante que não se esquece de suas raízes 80’s e 90’s, porque sabe que os fãs esperam certo som característico, mas não falha em dialogar com modernidades retrô como o Hot Chip. Porque muito do pop sintetizado atual bebe da fonte disco ou da própria synth dance que o PSB ajudou a inventar; soam muito contemporâneos, mas ainda confortáveis pra ouvintes da época de seu distante auge comercial.

Happiness abre Super parecendo que será techno minimalistas curtível só para quem dance em alguma boate hip de Berlim, mas logo é acessibilizada pelos Pop Kids (título de uma faixa meio autobiográfica), que aprenderam a lição de Papai Bowie: popificar o underground. Tennant afirmou ser filho de Bowie, ao comentar a morte do Camaleão.

Super está cheio de pauladas dance. Groovy tem clima de Ao Vivo em Ibiza; Inner Sanctum parece saída de deluxe edition de álbum noventista do PSB, cheias de remixes; Burn é pra incendiar boates, como quer seu refrão e não duvido da possibilidade, com aquele letimotiv-locomotiva no teclado.

Pazzo, quase instrumental que acena para Giorgio Moroder e New Order circa Technique (1989), não é grande momento; algo tola. A lenta Sad Robot World obviamente referencia vovô Kraftwerk – e também o esquecido Gary Numan – com letra inteligente sobre nosso descaso para com os pobres robôs, “tratados com indiferença, embora sempre entre nós”.

Com história tão rica e longa, cacoetes e sonoridades de distintas eras do próprio Pet saltitam lá e acolá. Into Thin Air tem trechos sacados de Being Boring, de Bahaviour (1990) e Sad Dictator encaixar-se-ia em Introspective (1988)? Say It To Me é bem Electronic, dupla formada por Bernard Summer (New Order) e Johnny Marr (The Smiths), com a qual Tennant/Lowe colaboraram na manhã dos 90’s.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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