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Resenha: Minor Earth Major Sky (2000)

Álbum de A-HA

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Um disco perdido nos anos 2000

Autor: Expedito Santana

11/10/2020

Eis um disco dos noruegueses do A-ha que considero meio perdido em sua discografia, principalmente porque lançado no ano 2000, quando o auge da New Wave dos anos 80 já estava bem longe, sendo tão somente um capítulo da história da música. 

Olhado de perto, no entanto, Minor Earth Major Sky (2000), que vendeu cerca de 2 milhões de cópias em todo o mundo, pode ser uma ótima experiência sonora, revelando um A-ha melódico e pop, mas também soturno. E é justamente tal característica desse álbum que atrai tanto. 

Há um direcionamento musical mais sereno em “Minor Earth Major Sky”, sexto disco de estúdio da banda, com músicas mais sóbrias e menos dançantes, que se afastam dos hits dos anos 80. Inclusive, as baladas são menos emotivas e mais reflexivas, havendo ainda um flerte com o pop-rock em algumas canções, a exemplo de The Sun Never Shone That Day e You'll Never Get Over Me. 

A faixa título abre o disco, uma das mais rockeiras, por sinal, gosto muito da versão ao vivo dessa música do disco How Can I Sleep with Your Voice in My Head (2003), principalmente pelo fato de os riffs de guitarra de Paul serem mais rápidos. Apesar dessa versão de estúdio ser mais tímida, espalha uma ótima energia, com sintetizadores no início e uma bateria eletrônica pesada. Os vocais de Morten são sóbrios e a parte do refrão é etérea e climática. 

“Little Black Heart” exala uma certa tristeza, com os vocais de Morten imprimindo  uma tela de melancolia ao fundo. Os teclados fazem uma abertura bem marcante. Aliás, as teclas de Magne são o grande destaque aqui, fazendo arranjos belissímos e deixando Morten à vontade com sua voz inconfundível.

“Velvet”, que fora incuída na trilha sonora do filme “One Night at McCool's”, apresenta uma entrada com teclados singelos e bateria eletrônica suave, com o vocal de Morten dando um brilho especial, conta com um backing vocal feminino angelical que dá beleza inigualável à paisagem sonora. Boa faixa. 

“Summer Moved On” começa com uma guitarra acústica e teclados espaciais, Morten destila uma performance vocal espetacular, principalmente nas extensões, combinando com primor técnica e emoção. Refrão sensacional. Ótima faixa. 
“The Sun Never Shone That Day” é mais agitada que a anteior e já começa com uma batida marcante, surge então logo em seguida uma veia meio pop-rock. Os teclados acrescentam arranjos singelos e Morten mantém-se numa modulação estável. 

“To Let You Win” tem sintetizadores parecidos com sinos não barulhentos e teclados geniais na abertura, um vocal mais reflexivo de Morten, baseado num canto em tom calmo e quase susurrante, às vezes. Adoro essa canção. Ela te leva para uma viagem de paz e relaxamento, permanecendo num mesmo ritmo, quase um sonífero (risos). Sensacional. 

“The Company Man” possui um tom mais otimista e agitado que a anterior, a bateria eletrônica dá o ritmo até o teclado fazer uma inserção bem legal. A guitarra traz um contorno levemente swingado e coloca o clima mais para cima. Morten entoa seus versos com muita precisão e sem pressa alguma. 

“Thought That It Was You” considero outro destaque, com batida eletrônica e teclado discreto. Os vocais de Morten são de uma suavidade tremenda. Perdi as contas da vezes em que repeti essa música. Adoro quando ele canta (...amen, amen..). Possui um refrão muito bonito e a parte que o vocal de apoio canta por baixo é magnífica. 

A singela “I Wish I Cared” ecoa muita tranquilidade, quase uma canção de ninar com batida suave. Morten se supera, a parte pré-refrão também é linda. Os teclados etéreos são um brilho a mais e os sintetizadores deixam tudo em harmonia. 
“Barely Hanging On’ deixa as coisas novamente mais agitadas, refrão marcante e canção charmosa, com Morten cantando em alto nível. Os teclados são muito bons, criando uma atmosfera com os sintetizadores também presentes. 

“You'll Never Get Over Me” é outra que considero fora da média, batida de guitarra sensacional no começo, Morten bem suave, essa música tem um ritmo muito agradável. O destaque aqui, sem dúvida, são os vocais de Morten, que dão uma leveza à canção. Arranjos de teclado genuínos na segunda parte completam a composição. 

“I Won't Forget Her” parece uma espécie de funk de sintetizador borbulhante dos anos 80, uma das canções que escuto menos, não é uma faixa ruim, ao contrário, lembra até algumas músicas de trabalhos anteriores, sua batida mais pesada destoa um pouco do restante, embora os vocais de Morten mantenham as coisas dentro de uma afinidade sonora. 

“Mary Ellen Makes the Moment Count” fecha o disco, e não poderia haver outra melhor para tanto. Uma guitarra meio acústica emulando um violão no início, os vocais de Morten tratam logo de dar mais emotividade e melancolia. Os teclados copiam um piano em algumas partes. E quando se aproxima do refrão a canção muda de ritmo, avançando mais forte até derreter num vocal meio choroso de Morten. 

Enfim, um disco perdido do A-ha que possui uma homogeneidade sonora notável e uma melancolia típica do grupo. Apesar de não conter nenhum single de sucesso, está repleto de boas canções. Recomendo para qualquer fã da banda e também para aqueles que gostam de um pop mais tristonho com leves pitadas de sof-rock.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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