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Resenha: Unsung Heroes (1981)

Álbum de Dixie Dregs

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Steve Morse muito antes do Deep Purple!

Autor: Márcio Chagas

10/10/2020

O Dixie Dregs foi uma banda de jazz rock formada por músicos que frequentavam a universidade de Miami nos anos 70, local vivia uma efervescência cultural muito grande, com alunos do porte de Pat Metheny Jaco Pastorius e Bruce Hornsby.

O grupo praticava um jazz rock diferente, pois misturava elementos de musica country, bluegrass, musica clássica e altas doses de improviso, privilegiando sempre temas rápidos e dinâmicos.

Outro grande diferencial da banda era que nenhum membro teve intenção de se profissionalizar ou fazer sucesso, apenas dar vazão a suas ideias musicais. O quinteto era formado por Andy West, um baixista amador apaixonado por informática e softwares; Allen Sloan, médico anestesista que tocava violino nas horas vagas; T. Lavitz, tecladista e professor de piano; Rod Morgeinstein, um jovem entusiasmado, que vivia a tempo todo sentado atrás de sua bateria e finalmente Steve Morse, um caipira loiro e magricelo, nascido em Ohio e criado no Tennessee, que tirava todo o tipo de som se uma Fender Telecaster detonada e completamente modificada, lhe dando uma assinatura musical muito pessoal e singular.

O grupo seguiu gravando vários discos instrumentais pela gravadora Capricorn até sua falência no ano de 1979, quando tiveram q mudar para a Arista. A nova gravadora sugeriu a mudança de nome para “The Dregs” e o grupo se reuniu no Axis Sound Studios em Atlanta a partir de dezembro de 80 para gravar seu futuro álbum que seria produzido pelo próprio Morse.

A escolha de Morse pareceu acertada, uma vez que o guitarrista trabalhou duro para deixar a produção mais orgânica e os instrumentos mais cristalinos, sendo que considero este o melhor álbum do grupo no quesito qualidade de som.

A capa e o seu titulo resume bem a proposta da banda: uma foto do quinteto sem a boca, mostrando a ausência completa de vocais na musica do grupo. O titulo também se aplica, pois os Dregs eram mesmo como “heróis desconhecidos”, uma vez que eram respeitados pela comunidade musical e pelos entusiasmados por música, mas seguiam a parte do cenário musical americano, longe do mainstream.

No lado musical, temos um grupo mais maduro após lançamento de cinco álbuns e focando mais nas composições, com destaque para a enorme quantidade de timbres que Morse tira de sua guitarra, como em “Atilla the Hun”, onde há partes em que o músico consegue emular até mesmo Alan Holdsworth!

A base das canções é muito bem estruturada pela dupla Morgenstein/West, sendo que o baixo deste ultimo se mostra limpo e pulsante, como pode ser visto em “Cruise Control”;

T. Lavitz consegue fazer um excelente contraponto com a guitarra de Morse, utilizando teclados, pianos e até o órgão hammond como visto em “Divided We stand” e na citada “Cruise...”, mas a cereja do bolo é mesmo o violinista Sloan, que assim como Morse, traz influências multiculturais em seu instrumento, ajudando a deixar o som do grupo ainda mais diferente e único como visto em “Go for Baroque” que encerra o álbum. Além do mais, não deve ser fácil dobrar linhas e solos, acompanhando Steve Morse pau a pau;

Das demais faixas, vale ainda destacar “Day 444”,  a canção mais longa e progressiva apresentada pelo grupo com mais de sete minutos, mostrando toda a integração do quinteto.

“Unsung Heroes” foi lançado em 1981 e de certo modo ajudou a popularizar o nome do grupo, pois foi indicado para o Grammy de melhor performance instrumental de rock, chegou ao segundo lugar nas paradas de jazz da Rolling Stone e foi eleito pelos leitores da Guitar player o melhor álbum de guitarra daquele ano.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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