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Resenha: 1984 (1984)

Álbum de Van Halen

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Uma banda absoluta nos anos 80 e seu melhor disco. RIP Eddie!

Autor: Marcel Z. Dio

10/10/2020

Como é de conhecimento geral, Eddie Van Halen deixou esse pequeno e sofrido mundo e partiu para outra dimensão. 
Não quero ser pretensioso a usar sua morte para o texto, e sim como homenagem. Alias, 1984 já está em minha fila de resenhas a muito tempo.

Bom ... a importância do grupo é celebrada até por quem não é do meio roqueiro, e um dos veículos para tal feito foi justamente 1984, na figura principal de Jump.
Ressaltando que o Van Halen foi disparado a melhor banda de hard rock dos anos 80, e que Eddie alcançou níveis espantosos com sua guitarra, criando algo fora de todos os padrões da época. O que poucos sabem é que o músico Allan Holdsworth - um guitarrista da patente do jazz fusion, foi um de seus heróis no instrumento e embora os dois tenham abordagens "diferentes", ambos eram facilmente reconhecidos em poucas notas. Quem não entrou em choque com os ligados de Allan, que atire a primeira pedra. Apesar da influência, Eddie seria incapaz de copia-lo, haja visto que sua função era ser único, assim como Allan foi e também se "foi" três anos antes.

1984 vendeu mais de 10 milhões de cópias e teve como ponto alto a maturidade na estrutura musical e a ênfase nos teclados, vide a maravilhosa introdução da faixa homônima para a entrada de outro marcante início de teclado, obvio que falo de Jump. Lembro quando tinha por volta de cinco ou seis anos, quando Jump tocava todo santo dia nas rádios, e por vezes você escutava em duas ou três estações ao mesmo tempo, por isso a importância para esse que vos escreve, foi o primeiro rock que ouvi na vida. Jump prova que Eddie Van Halen era bom com os teclados também, o instrumento reina forte em toda faixa, com direito até a um solo.
Mas não foi só dela que viveu 1984, pois o geral era magnifico. Desse modo a banda entregou seu melhor trabalho, sem errar em uma "virgula" sequer. É pra ouvir de cabo a rabo, de trás pra frente e de frente para trás.

Como Jump ganhou um vídeo com os saltos e malabarismos de Diamond Dave, e Hot For Teacher um de algazarra escolar, em Panama cada músico era içado por cabos para voar nos palcos e fazer uma farra geral.
O solo de Panamá entra no meu top três, junto com Spanish Fly e Humans Being.

Assim seguia Top Jimmy com suas frequentes "paradinhas" para os harmônicos de guitarra, alem de um solo devastador.

David estava em seu auge, cantando como nunca em Drop Dead Legs e também na citada Hot for Teacher, essa com uma levada fulminante de Alex Van Halen, onde o bumbo trabalha sem parar, estourando os falantes.

Em I'll Wait podemos enxergar ou melhor, ouvir o que seria preparado para 5150. Imagina-se então como David cumpriria com maestria o papel que coube a Sammy Hagar em um som mais puxado ao AOR.

Girl Gone Bad ressalta o papel da seção rítmica segurando a bronca.
Não é de hoje que o pessoal questiona o potencial de Michael Anthony nos graves (pura besteira). Entendo que ele foi fundamental para que Eddie pudesse brilhar. Lembro bem quando o guitarrista em uma infeliz ou sincera entrevista, disse que não gostava do som de Michael, mas o tempo provou que ele fez um papel idêntico em timbres e forma de tocar quando assumiu o instrumento no disco I Never Said Goodbye (1987) de Sammy Hagar.

Voltando ao assunto principal, fechamos com House of Pain, um dos sons mais legais e pesados do Van Halen. servindo para mostrar que Eddie além de ótimo solista, criava as melhores bases da época, em progressões memoráveis que beiravam o heavy metal.

Segundo o empresário da banda, Irving Azoff, uma reunião do Van Halen com Michael Anthony, quase aconteceu para uma turnê em estádios em 2019. Infelizmente não foi possível pela gravidade da doença. Irving revelou também que existem materiais inéditos que podem ser lançados num futuro próximo.
É isso, triste pela passagem do brilhante músico, ao que coloco no altar sagrado da guitarra junto com Jimi Hendrix e Jeff Beck. Não caiu a ficha ainda, o golpe foi forte.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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