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Resenha: The Dark Side Of The Moon (1973)

Álbum de Pink Floyd

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Obra clássica em evolutiva altamente imponente

Autor: Fábio Arthur

06/10/2020

Roger Waters resolveu que, durante uma pausa na digressão do grupo, começaria a compor um novo material. Necessariamente o Floyd não tendia a se quer evoluir para algo experimental ou dar seguimento aos trabalhos anteriores; mas tudo se formou muito óbvio após "Meddle". Eles haviam ido ao Japão, EUA e também estavam cessando um tour pela Europa. Assim, foi possível pausar e repensar o material que viria em seu oitavo álbum.

Londres era o local de concepções agora e tudo seria diferente, tanto no textual como no complemento musical; mesmo que ainda eles não soubessem como o fazer. Entre efeitos sonoros, utilização de equipamentos inovadores e arranjos com o uso de instrumentos diferentes e bem inusitados; eles seguiram de forma abrangente, não deixando que os percalços os atrapalhassem. As sessões foram entre 1972 e 1973, ano do lançamento do disco, intitulado de "Dark Side of the Moon". Mas isso seria algo bem fundamentado, lá mais em frente do projeto todo.

A falta de Syd foi fundamental para a elaboração surpreendente do disco e os temas foram pensados durante uma estadia na casa do baterista Nick Mason. A força das canções em termos líricos tratam de forma aguda, incluindo a abordagem sobre os conflitos pessoais dentro do grupo e fora dele. A cobiça e o envelhecimento, assim como loucuras, foram atentamente inseridos no álbum, como temas mais férteis.

A banda então resolveu caminhar para o Pop, mas com sua veia de Progressivo também, mostrando sua força em uma porção forte de musicalidade abrangente e sem denominações. Os quatro músicos fizeram elaborações e fitas demos a partir de um consenso geral, denominando a direção e forma de produção que deveriam seguir.

Antes de acabar o álbum, saíram em turnê e apresentaram algo de novo. Durante a turnê foram ao Canadá e o grupo tocou praticamente todo o aparato que estava sendo gravado, somente mudando a ordem da faixas e deixando algo de arranjos de fora, já que precisavam de sintetizadores para tal feito.

"Us and Them" foi a primeira canção em ser gravada e se tornou uma peça importante do disco. Efeitos foram feitos no estúdio com vários artefatos, até meio de improviso e com adição de vozes inseridas em alguns momentos, com base em entrevistas feitas por Roger com a equipe da banda e pessoas ligadas ao estúdio. "Money" foi obra elaborada por Roger Waters e sua inclinação ao sucesso foi imediata. Um porém de desordem interna surgiu de maneira alarmante após o sucesso fenomenal do álbum; mas foi ao mesmo tempo a ruína do grupo. 
"Time" faria parte do desejo dos fãs em ir aos concertos para ouvirem a canção e isso massacrava toda a banda, já que queriam executar algo das antigas, mas isso ficaria ainda pior dois anos depois. "On the Run" e "Brain Damage" foram gravadas bem no fim da turnê que estavam fazendo nos EUA.

O disco quando saiu ficou nas paradas por 777 semanas seguidas e vendeu até hoje 50 milhões de cópias; marco da música. 

O contraste com o som da banda é puramente complementado. Dois singles foram lançados para a mídia toda, mas enfim o álbum manteve o interesse por completo. A arte ficou como clássica e traz o prisma entre o negrito do álbum e as cores atravessando pelo outro lado do gatefold.

Necessariamente não é meu disco favorito do Floyd e nem entra em meu Top 5 do grupo, mas tenho certeza de sua importância, e que acaba sendo um álbum muito além do tempo em que o gravaram. Ainda brilha também em outras faixas e ouvindo por inteiro o fã tem a sensação de uma viagem musical infinita.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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