Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Sol Velho Lua Nova (2017)

Álbum de Flavio Tris

MPB

Acessos: 269


Delicado e lindo

Por: Roberto Rillo Bíscaro

02/10/2020

Entre 19 e 22 de dezembro, de 2016, Flávio Tris gravou Sol Velho Lua Nova, lançado em 2017, e que representou bombástica novidade silenciosa. Despindo os arranjos ao mínimo necessário, sua poesia por vezes rosiana e voz quente à Dori Caymmi sobressaem-se em 9 faixas de calma e/ou mistério. O EP e o álbum primeiro são ótimos, mas faixas como a título, por exemplo, possuem aura de delicadeza até então inédita em sua carreira.

Não que seja álbum de, mas na pátria da bossa nova, Tris parece mais ligado a ela nesse trabalho, como mostra a primeira parte de Quinze Mil Eras, que também serve de exemplo para dizer que o fato de Sol Velho Lua Nova ser mais minimalista e centrado na voz e violão, não significa que seja “música de barzinho”, em sua acepção mais breguinha. Há outra instrumentação e efeitos sonoros, no caso, chuva em Quinze Mil. O que ocorre é que o violão toma o centro e em seguida algum outro instrumento o acompanha.   

Difícil ouvir o louvor Terra Terra e não catalogá-la como canção-irmã daquela de Caetano, mas sem ser cópia. Em In Silence, o cantor-compositor adentra terreno folk sessentista; soa como se a qualquer segundo a gaita de Bob Dylan vá entrar. As influências afoxentas nordestinas ainda informam Flávio, como em Okiri ou Uma Canção, mas é tudo mais minimalista; às vezes primeiramente sinalizado no cantar, antes do que na esparsa instrumentação.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.