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Resenha: Wish You Were Here (1975)

Álbum de Pink Floyd

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Uma mistura excelente do Meddle com o Dark Side of the Moon

Autor: José Esteves

02/10/2020

A banda começou a entrar e sair de turnês para promover e executar o sucesso estrondoso que foi o Dark Side of the Moon. Com os shows constantes, eles começaram a produzir música e quando o conceito estava finalizado na cabeça de Roger Waters, eles foram para o estúdio produzir. Várias coisas ocorreram durante a gravação do disco, incluindo a aparição surpresa do compositor original da banda Syd Barrett e o casamento de David Gilmour, mas no mesmo ano em que a produção começou, o disco foi lançado. Apesar das críticas mornas com o lançamento, críticas modernas elogiam o álbum e muitos o colocam como melhor álbum de todos os tempos.

O conceito do álbum, em contraste com o Dark Side of the Moon, é mais esparso e menos conciso, ora sendo sobre o cinicismo da indústria fonográfica, ora sendo a solidão que o tempo inevitavelmente causa. Melodicamente, o disco foi construído com a mentalidade do Meddle e com a capacidade musical do Dark Side, ou seja, é um disco brilhante com quase nenhuma falha. As composições do Roger Waters são mágicas, a guitarra do David Gilmour ainda continua sendo de ponta, o teclado do Richard Wright cria o clima do disco todo e a bateria do Nick Mason, apesar de menos exigida, pontua bem as faixas.

O disco contém cinco faixas, com a primeira e a última sendo a primeira e a última parte de uma música de 25 minutos, música essa que é um épico instrumental de jazz rock progressivo repetindo um tema preenchendo ele cada vez mais até as poucas estrofes que entoam a insanidade da solidão. No meio desses dois bahamutes, temos “Welcome to the Machine”, uma canção futurista sobre a banalidade do mundo musical; “Have a Cigar”, um rock ácido e cínico sobre as produtoras e o quanto elas não se importam; e “Wish You Were Here”, talvez a balada mais importante da carreira do Floyd, com um imaginário direto a relacionamentos e a decepção que se tem deles.

A melhor faixa do disco é inevitavelmente os 25 minutos de “Shine On You Crazy Diamond”. De todas as faixas longas do Floyd, essa não tem um segundo desperdiçado. A primeira parte, no início do disco, tem um começo mais melódico, mais sutil, enquanto a segunda parte tem um clima bem mais caótico e psicodélico, mas as duas não perdem o sentimento de pertencerem uma a outra. Os refrões sendo idêntico (apesar dos versos serem diferentes) trazem toda a experiência para a tranquilidade da casa, para fechar esse disco espetacularmente.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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