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Resenha: High And Mighty (1976)

Álbum de Uriah Heep

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Um grande álbum perdido na discografia do grupo.

Por: Márcio Chagas

01/10/2020

No meio da década de 70 o Uriah Heep era um dos maiores nomes do hard progressivo da história, lançando discos seminais como “Demons e Wizards” e “Sweet Freedom”. 

Mas o desgaste físico ocasionado pelas longas turnês, aliado aos excessos de álcool e drogas começava a influenciar o direcionamento do grupo e acirrar as diferenças entre seus integrantes: 

O vocalista David Byron se apresentava cada vez mais alcoolizado, mesmo em estúdio o vocalista só aparecia para gravar altamente embriagado. O Baixista original Gary Thain havia se demitido por seu uso excessivo de heroína, e para o seu lugar veio John Wetton, baixista e vocalista com passagem por grupos de rock progressivo como Roxy Music, Family e King Crimson. Wetton fez um grande trabalho no álbum anterior, “Return to Fantasy”, e agora ainda mais integrado, estava mais a vontade para imprimir sua identidade no som do Heep.

A faixa de abertura “One Way Or Another” já demonstra a influência do baixista no grupo: Se o Riff de guitarra que sustenta a canção é característica de Mick Box, a voz de Wetton, aliada a de Hensley, da um acento meio AOR ao tema, que tem um dos baixos mais encorpados já gravados pelo músico;

“Weep in Silence” é uma balada composta por Wetton/Hensley, tem um andamento arrastado, belos solos de guitarra e o hammond sustentando todo o tema; “Misty Eyes” é uma canção midi tempo, conduzido pelo violão, com letra boba sobre paixão. Um tema interessante, mas sem o devido peso característico;

“Midinight” é ao mesmo tempo pesada e singela, com boas alterações de andamento , o baixão de Wetton pulsando no peito e bons jogos de vocais. Um tema subestimado por quem curte a banda;
“Can´t Keep a Good Band Down”  abre o lado B de forma dinâmica, mas logo aparece sua faceta pop, mesmo mantendo o peso e solidez; “Woman of the World” é cadenciada, meio psicodélica, com um baixo robusto e o hammond de Hensley comandando a base. É diferente, com alguns coros, mas muito interessante; 

“Footprints in the Snow” tem seus inicio com vocais sussurrantes e bela introdução acústica, a canção tem variações rítmicas, onde aparecem seu lado elétrico e belo jogo de vocais. Esse tema feito em parceria por Hensley / Wetton é um dos melhores do álbum; 

“Can´t stop the Singing” é calcada no piano, com andamento sincopado; “Make a Little Love” traz o grupo de volta as raízes, com guitarras cheias de slides e a influencia aberta do blues. Uma das que mais gosto no disco; Encerrando o trabalho temos a curta “Confession”, uma balada calcada no piano, com o vocal de Byron em destaque.

O disco foi lançado em junho de 1976 com uma festa monumental nos Alpes suíços, onde a gravadora levou toda a imprensa musical da época. Infelizmente o álbum não teve o retorno esperado, os fãs não gostaram da proposta de inserir novas sonoridades no som característico do Heep. 

Porém, “Hight and Mighty” é um grande álbum, mesmo com a adesão de alguns novos elementos, pois a essência do grupo permaneceu, como a voz fantástica de Byron, o órgão pessoal de Hensley e os riffs de guitarra de Mick Box. Wetton consegue manter o padrão sonoro, imprimindo linhas de baixo graves, dinâmicas e conseguindo boa integração com a bateria de Kerslake. Mas os puristas torceram o nariz;

As baixas vendas acirraram ainda mais os conflitos internos, culminando na saída do vocalista Byron, que não conseguia superar seu problema com alcoolismo, seguido de Wetton, que partiu rumo a novos caminhos.

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