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Resenha: The Dark Side Of The Moon (1973)

Álbum de Pink Floyd

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Mais do que um álbum, uma experiência necessária

Por: José Esteves

30/09/2020

Após cinco discos e uma trilha sonora de qualidade constante, a banda se prepara para a próxima empreitada. Um outro projeto para trilha sonora surge em meios a idealização do projeto seguinte, mas mesmo com essa confusão, o produto final sai incólume dois anos após o lançamento do “Meddle”, que teria sido canonicamente o disco anterior. O disco foi incrivelmente bem recebido, é considerado por muitos como o melhor álbum de todos os tempos, alcançou a posição 43 na lista da Rolling Stones de melhores álbuns, é o quarto disco mais vendido de todos os tempos no planeta, conquistando o disco de diamante, com 15 platinas já adquiridas.

O Dark Side of the Moon é um daqueles discos que você tem que ouvir para acreditar. A qualidade das faixas é o pico composicional do rock progressivo, com cada batida parecendo integral para a viagem perfeita. As temáticas abordadas pelo disco são os medos universais do ser humano (morte, pobreza, insanidade, solidão, dentre outros), vendendo essas ideias na forma instrumental que cada um deles se apresenta. A bateria minimalista do Nick Mason ecoa a solidão, a guitarra do David Gilmour cria uma sensação de inquietude, o baixo do Roger Waters envelopa o disco com um tom solene, e o teclado de Richard Wright é fundamental para a perenidade do projeto como um todo. A qualidade da produção do álbum é fenomenal e isso não pode ser menosprezado.

Cada faixa é importante para a evolução do disco e para o rock progressivo. Duas instrumentais (“On the Run” e “Any Colour You Like”, peças de teclado experimentais com ecos e arpegiadores malucos) e a semi instrumental (“The Great Gig in the Sky”, uma peça de piano e bateria com a Clare Torre gritando de forma que beira ao desesperador e ao solitário, sem perder de forma alguma a harmonia) conferem ao disco um ar de experimentalismo nunca antes visto. Isso somado a baladas tristes (“Breath” e “Us and Them”), rocks épicos de guitarra (“Time” e “Money”) e o final epopeico (as duas brilhantes “Brain Damage” e “Eclipse”, com suas estranhezas líricas) provém à experiência como um todo um ar magnânimo, concretizando esse disco como o magnum opus do rock progressivo.

A melhor faixa do disco é a terceira, “Time”, um rock que contém um dos melhores solos de guitarra da vida do David Gilmour, reconhecimento esse que não é fácil. A letra fala sobre a falta de tempo e o envelhecimento, dando um ar de letargia devastadora que é incomum na música como um todo, criando um clima de falta de esperança, misturado com o vocal do David Gilmour que conclama por urgência em cada verso.

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