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Resenha: Deep Purple (1969)

Álbum de Deep Purple

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O melhor disco da primeira formação do Purple

Por: José Esteves

28/09/2020

A banda buscava por outro hit de sucesso depois do single “Hush” do primeiro álbum, depois de dois discos de relativo sucesso nos Estados Unidos (e serem peremptoriamente ignorados no Reino Unido). O grande problema é que, criativamente, a banda procurava um som mais pesado e complexo, fazendo a ideia de uma música de 3 minutos parecer banal. Tirando isso, comentários de Jon Lord comparando o sucesso da banda nos Estados Unidos comparado com os da Inglaterra os tornaram persona non grata na terra natal, fazendo-os considerar a possibilidade de se dedicar exclusivamente ao público americano. Para isso, gravaram um single de três minutos (“Emmaretta”, que não se encontra no álbum) e logo após lançaram o álbum. O disco foi, mais uma vez, ignorado no Reino Unido, mas pela primeira vez ignorado nos Estados Unidos, considerando que a empresa responsável pela distribuição estava com problemas financeiros.

O álbum é do Jon Lord. Claramente, a banda era um bebê para o organista, que fez de tudo pra ter uma música atrás da outra com foco no teclado e com uma composição mais clássica. Definitivamente, isso não é uma coisa ruim: Jon Lord possivelmente é o melhor tecladista que o rock teve, e ele sabe de música clássica. Ritchie Blackmore claramente também teve espaço, vários solos espetaculares de guitarra com Ian Paice assumindo cada vez mais um papel representativo na banda. O disco peca pelos outros dois: o vocal do Rod Evans é semi ultrapassado, que não estava preparado para a onda mais pesada que a banda ia passar; e Nick Simper, no baixo, tocava algo menos evidente (aquela lógica de trazer um peso pra música e só).

Dessa vez, só um cover: “Lalena”, originalmente do Donovan”, uma balada progressiva que funciona muito bem com o vocal do Rod Evans (uma das poucas, inclusive). Mas o brilho do disco, efetivamente, são nas músicas mais hard rock com foco no órgão do Jon Lord: “Chasing Shadows” é uma degustação do metal que o Deep Purple ia ficar famoso em fazer, com efeitos de guitarra e uma bateria bem sombrios; e “Blind”, uma peça mais calma em que o Ian Paice detona. Para o lado experimental, temos “Fault Line”, a introdução de “The Painter” (que é outro hard rock fantástico), com um solo de guitarra por cima de um loop de bateria e teclado em reverso, que apesar de não ser muito bom, é interessante.

A melhor música do disco é “April”, um opus do Jon Lord que queria realmente enfiar goela abaixo música clássica na discografia do Deep Purple. Mesmo quando o hard rock usa a formação clássica, ainda tem um quê de barroco vindo do teclado (e ocasionalmente da guitarra) e, na marca dos 3 minutos, quando a música para e a orquestra começa, a música se eleva a níveis fantásticos. Quando volta pro rock, parece que era parte do plano desde o início e até o vocal do Rod Evans se encaixa perfeitamente.

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