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Resenha: Elemental (1993)

Álbum de Tears for Fears

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O primeiro trabalho sem Curt Smith

Por: Débora Arruda Jacó

26/09/2020

Elemental (1993) é o quarto trabalho do Tears for Fears e o primeiro sem a presença de Curt Smith. No entanto, Roland Orzabal contou com um time de músicos para a realização desse trabalho: Alan Griffits, Tim Palmer, Guy Pratt e Mark O’Donoughue – engenheiro de som. Roland também contou com uma ajuda “familiar”: Julian Orzabal, seu irmão. Como é de costume, vamos às análises, faixa por faixa.

“Elemental”, a faixa título abre o álbum/CD: apresenta uma sonoridade mista de instrumentos eletrônicos e guitarra – a bateria (como a maioria apresentada nesse trabalho) é “sampleada”. É uma boa música: na letra, Roland faz um questionamento sobre fé, problemáticas pessoais... Enfim, quem conhece Tears for Fears sabe que Roland sempre traz reflexões aos ouvintes. Destaque mais uma vez para a voz forte e bonita de Roland. Sou apaixonada pela voz desse cara! A segunda faixa é “Cold”, a minha segunda preferida (a primeira é “Break It Down Again”) – uma das canções que eu mais escutava nos meus tempos de jovem. Apreciava (aprecio até hoje) o vídeo dessa música, um pouco “exótico”, que passava em larga escala na extinta MTV Brasil (pessoalmente, essa atual MTV não deveria nem ter esse nome). “Cold” apresenta um arranjo lindo, com aquele belo solo de guitarra e o vocal de Roland que sempre está próximo da perfeição. O irmão do cantor, o Julian participou nos vocais de apoio. Entre outras coisas, a letra fala de misticismo, mágoa, Buda e do antigo gerente da banda, Paul King que deixou o grupo em maus lençóis, financeiramente.
“Break It Down Again” é a minha preferida do álbum: aquela introdução do “Bolero de Ravel”, adaptado para o pop – rock é genial! Um acerto do Roland. Os arranjos dessa música são maravilhosos. Roland fez um belo trabalho como guitarrista nessa faixa, enquanto diz na letra que “alguém está se escondendo da luz” e também, fala de geopolítica. (Podem conferir o vídeo promocional da canção). Com certeza, o grande sucesso do álbum e uma das canções mais queridas pelos fãs brasileiros!
“Mr. Pessimist” é a próxima faixa: uma demonstração de que Roland sempre esteve (e está) atento às novas sonoridades – em especial, as que estavam em voga nos anos 1990. Apresenta uma sonoridade “eletrônica”, porém sem perder a “típica” do Tears for Fears, caracterizada entre outras marcas, pela voz de Roland. Porém, é uma letra que expressa melancolia. Mesmo assim, a canção poderia ser incluída com sucesso, em ambientes sofisticados devido ao som “suave”. “Dog’s a best friend’s dog” apresenta uma sonoridade interessante e bem legal, com a execução de um solo legal de guitarra. A sexta faixa é “Fish Out of Water”, com um som bem agradável, contendo uma letra que mais parece ser uma “chamada de atenção”, mas que não tenho ideia para quem seria... (Mas agora está rindo para o sol/Com todos seus amigos de classe alta que você achava que tinha/A única coisa que você fez foi ganhar um bronzeado em sua face).
“Gas Giants” é outra faixa que apresenta um som que nos remete a um ambiente “mítico”, soft e etéreo. A música tem poucos versos – tende mais para o instrumental. A próxima é “Power”, que apresenta bons arranjos – guitarra e baixo bem sincronizado e Roland cantando bem. A penúltima faixa é “Brian Wilson Said” é uma canção referência ao cantor Brian Wilson e de fato, a sonoridade da canção lembra muito Beach Boys. A última faixa é “Goodnight Song” a minha terceira faixa preferida – inclusive, tem o vídeo dessa canção. Para mim, uma das faixas que mais se aproximam dos antigos trabalhos do grupo – e vagamente, lembra um pouco “Laid So Low”.

“Elemental” pode não ser um dos melhores álbuns do Tears For Fears (quer queira ou não, o TFF se ressentiu da ausência de Curt Smith), mas teve músicas marcantes e provou que Roland Orzabal conseguiu manter o Tears For Fears na ativa – o próximo álbum “Raoul and the Kings of Spain” (1995) reforçou ainda mais a minha “teoria”: Roland é um dos músicos mais criativos do pop – rock, embora Curt seja sempre essencial para o grupo.

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