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Resenha: Animation (1982)

Álbum de Jon Anderson

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Aquele disco o qual não se deve criar expectativa, apenas deixá-lo levar você

Por: Tiago Meneses

25/09/2020

Animation é um disco muito bem vindo depois de o vocalista ter lançado o muito pouco inspirado – pra dizer o mínimo - Song Seven dois anos antes, mas ainda assim, longe de soar tão agradável quanto o seu disco de estreia – se bem que ele nunca mais conseguiu fazer nada naquele nível dentro da sua carreira solo. Este álbum apresenta o talentoso Anderson se divertindo por uma variedade de estilos musicais. Com certeza eu acho este um bom disco, mostra Anderson sendo mais comercial sem ser astuto e cínico. Em muitos momentos traz melodias cativantes e boa instrumentação graças a uma formação muito forte de músicos de estúdio. 

“Olympia” começa o disco de uma maneira, digamos, não muito boa. O início do caso de Jon Anderson com a música eletrônica é um tanto irritante, indecifrável e embaraçosa, costumo dizer que se isso fosse o que de melhor tivesse a oferecer em Animation, certamente poderia ser visto como um dos maiores fracassos de um músico do universo progressivo em caminho solo. 

“Animation” eu já ouvi dizer que foi uma canção feita em homenagem a sua filha - isso pode brotar uma dúvida, afinal, já que ela é a faixa título, todo o álbum pode ser uma homenagem, mas não, isso acontece só somente aqui mesmo. Um som verdadeiramente progressivo, menos influenciado pelos padrões na música 80’s, com boas mudanças de andamento, seções diferentes e demais coisas que pode agradar um amante da música progressiva. 

“Surrender” é aquele tipo de canção que Jon costumava colocar em todos os seus álbuns da época, de sonoridade entre a música caribenha e o reggae, com algumas das letras mais campistas de Jon. Não é que não seja uma boa música, mas não possui muitos atributos a ponto de dar de ouvi-la com frequência. 

“All In A Matter Of Time” abre com uma guitarra sintetizada que faz o ouvinte pensar que Trevor Rabin está fazendo sua participação no disco, mas musicalmente o que se segue parece uma canção natalina. Se não formos levar em conta tanto os bons solos de guitarra quanto de teclado em seu núcleo, podemos imaginar o Papel Noel descendo pela chaminé enquanto que esta música toca – deixando claro que estou fazendo uma referência, e não citando o exemplo natalino de forma pejorativa. 

“Unlearning the Dividing Line” tem início através do som clássica das baterias eletrônicas dos anos 80. Considero está uma boa música bem no estilo do que poderíamos encontrar no disco Drama do Yes. Jon mostra seu lado industrial e consegue soar interessante, ainda que os refrãos não sejam tão bons quanto à música. Vale a pena. 

“Boundaries” é um hino folk extremamente bonito e que Jon afirmou que veio a ele através de um sonho. Uma balada feita de acordes simples e com uma base de violão de 12 cordas. Apenas acho muito triste que Jon tenha utilizado partes dela no péssimo Open your Eyes, pra mim, o pior disco do Yes. 

“Pressure Point” traz Anderson de volta para o universo industrial. Inicialmente eu achei ela meio desconexa e com falta de coesão. Possui um som eletrônico jazz, falo jazz aqui pois a linha de baixo em alguns momentos me lembra algo que já ouvir em alguma música da Weather Report. Não chega a ser uma grande faixa, mas em sua defesa, possui um bom teclado que a enriquece. 

“Much Better Reason” é uma música que poderia ter sido facilmente a melhor do álbum. Trata-se de um soft rock com toque latino. O maior problema está em um momento extremamente esquecível de letra em italiano que não tem absolutamente nada a ver com o resto da música. Um bom exemplo de como destruir uma boa música em cerca de trinta segundos.

“All God's Children” começa com bateria, baixo e os vocais de Jon cantando de uma forma que faz parecer que a ideia é transformar a música em uma espécie de hino. Uma canção de corais extremamente inspiradores e que Jon sabe fazer tão bem. Se durante o álbum tivemos algumas más impressões, o final de Animation não podia ser melhor do que foi. 

Para tentar resumir, trata-se de um disco irregular, mas que no geral é bom. A voz de Anderson está excelente e apoiada por músicos que sabem exatamente o que estão fazendo. Aquele disco o qual não se deve criar expectativa, apenas deixa-lo levar você.

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