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Resenha: Yes (1969)

Álbum de Yes

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Definição de proto-prog

Por: José Esteves

25/09/2020

A banda havia começado humilde com o baixista Chris Squire, o guitarrista Peter Banks e o nome “Mabel Greer’s Toyshop”. A banda tocou em alguns lugares, até que o dono de um clube, que não os achou nada demais, os apresentou Jon Anderson, que trabalhava em seu clube, que prontamente se juntou a banda como vocalista. O baterista Bill Brufford colocou seu nome no classificados, sendo adicionado à banda desta forma, e o tecladista e organista clássico Tony Kaye, do Johnny Taylor’s Star Combo and the Federals, apenas entrou na banda que buscava um tecladista. Com isso, a primeira formação da banda estava completa e após algumas apresentações abrindo para o Cream em sua turnê de despedida, a banda decide melhorar instrumentalmente (ainda mais depois de assistir um show do King Crimson e sentir a corda em volta do pescoço) e gravar um álbum. O álbum foi bem recebido, apesar de não ter causado grande reverência no mundo na época.

Uma das definições desse álbum que você encontra em sites de aglomeração de informação é o termo “proto-prog”, uma definição de um som pop que estava surgindo da década de 60 com influências extrapolantes não limitadas pelo pop da época. Esse álbum é, definitivamente, isso. Ele é muito bem produzido, o vocal do Jon Anderson é espetacular, a guitarra do Peter Banks é muito boa, talvez não tão espetacular quanto outros guitarristas famosos do rock progressivo, e o teclado de Tony Kaye trabalha bem. O baterista Bill Bufford e o baixista Chris Squire movem a música adiante, mas na maior parte não são nada excepcional; porém ambos tem momentos para brilhar, fazendo o que um álbum introdutório deve fazer, dando a todos uma chance de fazer o que eles tem de melhor.

As composições são todas bem boas, não tendo nenhuma música abjetamente ruim no álbum inteiro. A colocação das músicas parece um pouco randômica, colocando as duas baladas mais pops no final do álbum, dando um fechamento esquisito para o disco (“Sweetness” e “Survival”, apesar da última começar com a única acidez do álbum se desenvolve para a simplicidade pop). As músicas que são para cada membro fazer o seu melhor mostram uma qualidade excepcional, seja “Looking Around” para o Tony Kaye trabalhar bem com o Jon Anderson, seja “I See You” para a bateria fazer os compassos de jazz que quiser. Infelizmente, não teve nenhum momento desse álbum para o guitarrista fazer um solo transcendental, mas já tem vários elementos tradicionais do Yes desde a estréia, incluindo uma guitarra muito funcional.

A melhor faixa do disco, estranhamente, é o cover dos Beatles “Every Little Thing”. Covers bons dos Beatles são substancialmente raros, então ouvir uma versão melhor do que a original é surpreendente, mesmo que não seja exatamente uma das melhores músicas dos Beatles. Não só o vocal funciona melhor, com linhas melódicas novas, como a dinâmica ficou bem mais anos 70, com teclados e uma guitarra um pouco mais psicodélica no início. Uma coisa interessante para comentar é que a faixa tem uma referência direta a “Day Tripper”, mostrando que a música é inequivocamente dos Beatles.

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