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Resenha: Purple (1994)

Álbum de Stone Temple Pilots

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O melhor que o grunge tinha a oferecer

Por: José Esteves

24/09/2020

Com o sucesso estrondoso do disco de estreia da banda, “Core”, não foi surpresa nenhuma para ninguém que eles se reuniriam para o lançamento de um outro disco para segui-lo. Fora dois singles, as outras músicas todas foram gravadas em menos de um mês e lançadas rapidamente; apesar disso, o disco foi incrivelmente bem recebido, conquistando seis discos de platina e sendo imediatamente reconhecido como um clássico do grunge.

Como um estilo musical, grunge sempre deixou a desejar, sendo mais um estilo de vida do que algo que se imprimia com alguma convicção nas músicas. Esse disco é uma prova viva da qualidade que o gênero poderia ter se o deixassem para se inspirar nos melhores gêneros do rock da década de 70. Primeiro, a banda apresenta instrumentação de ponta: o baixo de Robert DeLeo pontua exemplarmente o álbum todo, ora botando algum peso nas músicas (muito menos peso do que o Grunge é conhecido por fazer), ora fazendo linhas de baixo limpo complicadas; a guitarra de Dean DeLeo sabe puxar as inspirações do rock progressivo, psicodélico, folk e country do jeito que queria; e a bateria de Eric Kretz que sabe fazer o arroz com feijão na hora certa, mas também sabe apimentar um pouco o cenário. O vocal do Scott Weiland não é nada excepcional mas se encaixa nas músicas, apesar de falhar em algumas horas.

Existem poucas músicas que se encaixam no grunge tradicional: basicamente a abertura “Meatplow”, que não evolui muito e não tem picos de interesse, se mantendo morno, e “Army Ants”, que parece ter algo de Rage Against the Machine na mistura. O álbum brilha de verdade quando puxa inspirações aleatórias do passado: o hit “Interstate Love Song” é uma música incrível de viagem, com instrumentos e um vocal limpos, com muito de um country rock que viria a inspirar o Nickelback; “Pretty Penny” é um folk rock macabro com tendências da década de 90; e “Silvergun Superman” parece que vai seguir as tendências da época para puxar uma progressividade maluca no meio. De década de 90 pura, temos também uma balada bem cheia de soul e melancolia que fecha o álbum, “Kitchenware e Candybar”, ou pelo menos fecharia se o álbum não decidisse colocar um lounge secreto que ninguém se importa.

A melhor faixa do disco é “Big Empty”, outra da vertente mais country sulista. Boas melodias do vocal com o back vocal, um solo de bateria em um momento que a música dá uma quebrada bem rock progressivo, mas ele se retém para manter o espírito da música, que é basicamente uma “Interstate Love Song” mais para dentro.

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