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Resenha: O Último Solo (1997)

Álbum de Renato Russo

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A última façanha da carreira solo de Renato Russo

Por: joaoga007

22/09/2020

O título desta resenha bem que poderia ser "todos os méritos á Carlos Trilha", pois uma marca deste álbum é a mão do produtor. Desde a produção do repertório até os arranjos, é possível identificar que Trilha soube captar tudo que Renato Russo queria e gostaria. Embora o material estivesse pré-produzido, trabalhar em um álbum de sobras não é fácil, Pois muitas vezes o material se trata de canções que o artista não gostou ou incompletas. Mas nada disso foi impedimento para Trilha se mostrar um grande produtor e fazer este álbum póstumo seguir a linha dos seu antecessores em nível de produção e qualidade.

A minha maior crítica a este álbum seria a versão de “Lettera”,  a versão apresentada neste álbum ao meu ver é inferior a versão apresentada em Equilíbrio Distante. Para mim Lettera é a melhor música de Equilíbrio Distante, havia naquela canção um lirismo inexplicável e nesta versão apesar apesar de bela ficou muito aquém da anterior. Mas tirando esta faixa não há pontos negativos no álbum.

Para mim as músicas de trabalho deste álbum poderiam ter sido “Hey That’s no Way to say goodbye” e “Il Mondo degli altri”, ambas são bastante radiofônicas. A primeira poderia ser como “Cathedral Song” canção bem lembrada até hoje do álbum “Stonewall Concert”. E a segundo poderia ser como “Stranni amore” ou  “La Solitudine” que dispensam comentários. Porém não foi o que aconteceu, apesar de ter vendido bem o álbum passa em nuvens brancas e é pouco lembrado dentro da discografia do Renato Russo.

A faixa Change Partners é o ponto alto do disco. A faixa inicia com a voz de Renato em uma gravação semelhante a uma música dos anos 30 com ruídos e som de gramofone, e a partir do meio ela passa ao som natural. Esta apesar de ser a última faixa poderia ser o cartão de visitas de Carlos Trilha como produtor.

Fazendo justiça á Renato Russo e Carlos Trilha, o álbum é muito bom, muito bem produzido com direito a arranjo de cordas até bateria eletrônica. O álbum é um retrato bem fiel do que foi a carreira solo de Renato Russo, rebuscada, intimista e muito POP. Não tem como negar o esforço, dedicação e méritos de Carlos Trilha na produção do material deixado, mas também não há como negar que Renato Russo mandou bem até no material deixado de fora de seus álbuns.

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