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Resenha: Evolution (1979)

Álbum de Journey

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Encerrando muito bem os anos 70

Por: Vitor Sobreira

21/09/2020

Aqui as lembranças vão longe, lá para o final de 2004 para ser mais exato, quando eu tive meu primeiro (e intenso) contato com o mundo do Rock e de certa forma o Journey estava lá com duas músicas em uma coletânea. Quase 16 anos depois estou aqui para falar sobre o seu quinto disco, ‘Evolution’. Aquela famosa expressão “o mundo dá voltas” se encaixa perfeitamente aqui.

Os anos 70 estavam chegando ao fim – o merecido descanso para uma década importantíssima para a música – mas o Journey seguia firme para levar suas composições cada vez mais longe. Embora já fosse um nome conhecido na época, o estrondoso sucesso internacional/comercial viria apenas alguns anos depois, com o super hit “Don’t Stop Believin’”, no entanto a banda lançava em 1979 o seu trabalho de maior sucesso – até aquele momento -, que tendo vendido cerca de três milhões de cópias (recebendo em 1991 o certificado de Platina Tripla) atingiu a vigésima colocação no Billboard 200.

‘Evolution’ saiu no dia 23 de março daquele ano pela Columbia Records e marcou a estréia do baterista Steve Smith, que participaria dos próximos sete outros álbuns. Apesar de já ter gravado o disco anterior, ‘Infinity’ (1978), outro novato era o vocalista Steve Perry – que provavelmente mal sabia que um dia seria aclamado como um dos grandes vocalistas da história do Rock. Caso você ainda não saiba, a formação era completada pelos já experientes músicos Neal Schon (guitarra), Gregg Rolie (teclados) e Ross Valory (baixo).

Dando uma conferida nas composições, após a instrumental “Majestic” (e uma veia que quase esbarrou no Progressivo), a ótima e melodiosa “Too Late” pode ser curta, mas garanto que o seu refrão não sairá nunca mais da sua cabeça. Isso não é uma regra, mas a verdade é que quando um álbum começa bem, as chances de também terminar bem são bem altas!

Percebe-se ao longo das faixas, que o entrosamento e o profissionalismo dos músicos chama a atenção, com cada um dos cinco extraindo de si mesmos a essência de se fazer boa música, o que reflete sim, no resultado final. Não para tanto, em se considerando os anos de atividade da banda, foram (relativamente) poucas as alterações na formação.

Voltando ao tracklist, “Lovin’, Touchin’, Squeezin’” tem uma levada mais Blues, calculada – porém nada “deprê”. “City of the Angels” traz de volta o Rock melódico com aquela ênfase no refrão simples e um solo de guitarra breve, porém incisivo. Os riffs de “When You’re Alone (It Ain’t Easy)” indicam uma pegada mais empolgante e com agradáveis momentos um pouco mais pesados.

Para agradar às rádios e os corações apaixonados (ou partidos…), o Journey também preparou carinhosamente “Sweet and Simple”, que apesar do começo descaradamente comercial, aos poucos ganha uma força extra aqui e ali, além de um solo bem inspirado de Neal Schon. Se você é do tipo que não gosta muito de baladas, a boa notícia é que as coisas voltam a esquentar com “Lovin’ You is Easy” e sua bela pegada Hard Rock mais séria (reparem no que acontece a partir de 2:05!).

Na envolvente “Just the Same Way” temos o dueto de vozes entre o tecladista Gregg Rolie (que foi o vocalista nos três primeiros discos do Journey) e Steve Perry. “Do You Recall” também apresenta ótimas melodias e também nos leva para a reta final do trabalho. Lembra-se da tal esbarrada no Progressivo que eu mencionei lá em cima? Então, ela está presente novamente em “Daydream” e na pesada “Lady Luck”, que fecham com chave de ouro esta surpreendente audição!

Creio que não foi preciso eu ter chegado ao final do texto para que os leitores percebessem que a qualidade musical de ‘Evolution’ está em outro nível. Mas, nada como uma boa conferida neste pequeno presente aos ouvidos para comprovar o que eu escrevi!

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