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Resenha: Paranoid (1970)

Álbum de Black Sabbath

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O metal pré-metal

Por: José Esteves

21/09/2020

Com o sucesso surpresa do disco de estreia no Reino Unido, a banda volta para gravar o disco novo quatro meses depois do primeiro. Apesar do disco ter sido gravado em apenas cinco dias, as músicas (exceto a epônima do álbum) haviam evoluído de improvisações no palco e estavam quase todas prontas para a gravação. O single “Paranoid” foi pensado depois de tudo pronto em apenas duas horas, mas foi forte o suficiente para ganhar o nome do álbum e virar o primeiro hit single da banda nos Estados Unidos. O álbum foi muito bem recebido na época e é considerado, por muitos, o melhor disco do ano de 1970, além de ter sido o principal precursor do metal, conquistando platina e figurando na lista da Rolling Stones de melhores álbuns.

O que chama a atenção nesse álbum não é só o quão metal ele é numa época em que metal nem existia direito, mas o quão expansivo foi essa inspiração: há vários tipos de metal da atualidade nele, o que é uma surpresa. Uma coisa que tem que ser mencionada é que o Ozzy não é um bom vocalista, apesar de ser característico, mas o resto da banda está trabalhando perfeitamente bem: o Tony Iommi é um criador e executor de riffs incontestáveis, o Geezer Buttler mantém um nível altíssimo durante o álbum todo e o Bill Ward, que apesar de não se comparar a outros monstros da época como Jon Bonham e Ian Paice, é um ótimo baterista e dá um peso significativo ao álbum.

Outro fator surpreendente desse álbum é o quão pouco metal ele consegue ser em certas faixas: “Planet Caravan” é uma faixa tão hippie quanto poderia ser, “Hand of Doom” é basicamente The Doors, e no geral há sintomas de psicodelismo não-metal no álbum todo. As pesadas funcionam muito bem, principalmente “Electric Funeral”, que é basicamente a primeira faixa de doom metal da história, e “Iron Man”, um clássico do começo do metal com um riff infeccioso, apesar de achar que o baixo acompanha o Ozzy demais nela. Outra das principais do álbum é o instrumental “Rat Salad” que tem um excelente solo de bateria no meio.

A melhor faixa do disco é a abertura, “War Pigs”. O Tony Iommi tem uma noção de guitarra absurda, conciliada com o baixo que caminha a faixa toda, com o vocal do Ozzy funcionando bem como crítica antissistema. Ela muda constantemente de ritmo e funcionamento, desde as guitarras emulando sirenes até o solo de guitarra onde a bateria coloca todo mundo pra correr.

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