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Resenha: Wonderworld (1974)

Álbum de Uriah Heep

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Cada vez mais distante da fase clássica

Por: André Luiz Paiz

17/09/2020

O sétimo álbum de estúdio do Uriah Heep em 4 anos é também o último com o baixista Gary Thain, além de mostrar o direcionamento da banda para novos caminhos. Começou com "Sweet Freedom" e agora com "Wonderworld", deixando claro que a veia progressiva e o respeitado conceito lírico integrados ao hard rock tinham ficado para trás.

Na verdade, creio que o problema que fez com que "Wonderworld" ficasse abaixo dos anteriores é simplesmente o desgaste por conta da loucura que as bandas faziam nos anos sessenta e setenta, a incansável produção de disco/turnê/disco/turnê. Falta inspiração, principalmente no conceito lírico, um dos destaques positivos de outros trabalhos da banda. Talvez "So Tired" esteja se referindo exatamente a isso. Ainda temos bons momentos em ternos de composição, além de algumas pitadas daquele órgão e alternâncias vocais de David Byron, mas o foco aqui é um rock/hard mais direto e alguns novos experimentos.
Olhando o lado positivo da coisa, o disco tem sonoridade de banda, já que os álbuns clássicos foram em grande parte criados por Ken Hensley. Aqui a banda divide as composições, trabalhando em conjunto em várias delas. Daí é possível realmente concluir que o direcionamento foi opcional.

São nove faixas. A abertura "Wonderworld" começa intensa ao som dos sintetizadores e cai para uma sonoridade suave e agradável. É uma delícia quando entram os vocais e o refrão é um dos melhores do álbum. "Suicidal Man" e "So Tired" são outros grandes momentos. Duas faixas calcadas no hard com grande desempenho da cozinha, sendo impossível não curtir. Não consigo gostar de "The Shadows and the Wind", pois acho-a bem estranha. Em contrapartida, "The Easy Road" é uma balada linda. Ambas são composições de Hensley. "Something or Nothing" é uma faixa mais enérgica e foi lançada como single. Não é brilhante, mas também não compromete. 
Seguindo para a trinca final, "I Won't Mind" é um blues rock que acaba sendo arrastada demais, sem brilho. "We Got We" é interessante pelos vocais dobrados e linhas de baixo, mas acaba resultando em uma faixa cansativa. Por fim, o disco é finalizado com "Dreams", que tenta resgatar um pouco da sonoridade dos discos anteriores, com distorção nos sintetizadores e um clima mais denso, mas que curiosamente desaparece e a faixa acaba soando "normal" e arrastada quando tenta manter o ouvinte durante os seus seis minutos.
"What Can I Do" foi lançada como lado B do single "Something or Nothing" e apareceu nas versões em CD. Ela traz novamente aquele hard mais cadenciado e certamente ficou de fora do tracklist original por soar parecida e inferior às outras faixas do estilo. Ainda temos "Love, Hate and Fear" - um rock mais leve e com várias vocalizações - e "Stone's Throw" - acústica - lançadas em versões mais elaboradas. Vale para colecionadores, pois são interessantes.

"Wonderworld" não é um disco ruim como é considerado. Seu maior problema é ter sido lançado tão próximo de clássicos como "Look at Yourself" e "Demons And Wizards", sendo vítima de muitas comparações. Se você ouvir com calma e dedicação, encontrará muita coisa boa aqui, mas se você espera um trabalho impecável do início ao fim, infelizmente este não é o caso.

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