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Resenha: Ummagumma (1969)

Álbum de Pink Floyd

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Experimental

Por: Fábio Arthur

17/09/2020

O Pink Floyd tornou-se muito importante durante seu trajeto inicial, mas existem fórmulas testadas pelo grupo em alguns projetos que a coisa toda caminha para uma vertente muito informal e sem a digna vocação da banda.

A primeira parte deste trabalho trata-se de uma fonte de canções ao vivo já executadas na turnê pelo grupo, e na segunda, um apanhado do material de cada músico. Esse álbum reflete uma nuance e a vontade de exigir de si mesmo, na tentativa de que o grupo soasse muito além e achasse um caminho centrado fora do contexto de outrora. 
A arte soa mais evolutiva de que o próprio elemento de faixas. O efeito usado com a foto em destaque da banda em combinações, uma dentro da outra, acaba sendo uma deliciosa gravura. 

Creio eu que o grupo merece todo o respeito, mas esse disco não é um exemplo de faixas e repertório próprio para uma banda como era o Floyd naquele momento. No meio conceito, cai em um vazio único e soa muito enjoativo; isso porque sou aquele tipo de fã que não amolece mesmo para uma banda do coração, então acaba sendo algo que poderia ter sido melhor aproveitado.

O título do trabalho - "Ummagumma" - acabou saindo da falação voluntária de um dos roadies do grupo, e a conotação em calão miserável e sexual, foi aderida pela banda e assim nasceu o textual. Não se sabe se foi invenção de gíria ou mesmo algo em um ciclo em comum de época, mas enfim, virou o nome do álbum.

O lado já citado ao vivo foi elaborado em 1969 em uma espécie de clube noturno, uma casa recorrente de shows e nessa fase o tecladista Richard Wright já começava a encabeçar de que a banda precisava soar mais intensa e fértil, e isso daria margem para que no futuro o grupo começasse a sair do limbo musical.

Mesmo com disco de ouro, o trabalho não vingou o quanto a banda esperava, e nos EUA ficou com posições mais baixas, sendo que em seu próprio país o grupo nivelou pelo #5 lugar nas paradas. Dinheiro ainda era problema e comercialização também. Enfim, o álbum muito inseguro e que fazia a cabeça apenas de um lado do público, tudo por causa do momento e do estilo vivenciado em época, sendo que a sorte do grupo viria bem mais tarde. 

Não ouço muito esse disco. É um trabalho que me deixa bem desconfortável em relação ao conteúdo anterior e póstumo.

Fica a curiosidade de quem nunca ouviu ou que queira relembrar o trabalho.

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