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Resenha: A Saucerful Of Secrets (1968)

Álbum de Pink Floyd

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Uma continuação inconstante, mas eficiente

Por: José Esteves

17/09/2020

Com um disco debut de sucesso na carreira, era um tanto óbvio que o Pink Floyd iria lançar algo logo, mas eles rapidamente encontraram uma barreira: o declínio da saúde mental do principal compositor e idealista da banda, Syd Barrett. Para suprir o espaço que ele provocava por ser inconstante nos shows, David Gilmour foi contratado e, logo depois, foi inserido oficialmente como substituto na guitarra, enquanto Syd Barrett partiu para uma carreira solo. O segundo disco da banda foi lançado com material de antes e depois da saída do Syd Barrett, tendo a única música da discografia da banda com música dos 5 membros. O disco foi o único na história da banda a não entrar nas paradas americanas, mas alcançou certificado ouro depois de algum tempo, com as críticas contemporâneas não sendo muito positivas.

O disco apresenta sinais claros de que a banda não tinha direção. Cada faixa parece ter sido gravada com uma tentativa em mente na cabeça de o que a banda ia ser, o que fez uma mistura de músicas que não tinham nada a ver uma com a outra. Porém, é nesse álbum que você ouve sinais bem claros do que o Pink Floyd ia vir a ser, com a guitarra e o vocal do David Gilmour acompanhando bem o teclado de Wright e o baixo de Waters.

Uma coisa que tem que ser citada, esse disco contém algumas das piores músicas que o Pink Floyd fez: “Corporal Clegg” é um caos sujo com mania de grandiosidade; e “Jugband Blues” é a despedida de Syd Barrett que parece batalhar com cada verso uma sanidade que ele não tinha. Com isso fora do caminho, as outras músicas são de um psicodelismo e estranheza tão específico do que seria o Pink Floyd futuro que é impossível ignorar: “A Saucerful of Secrets” é um medley de 11 minutos que vai do abstratismo sem forma para um requiem de órgão e vocal muito bonito; e “Set the Controls for the Heart of the Sun” lembra o terror e niilismo do que o Roger Waters ia se expressar muito melhor no futuro, apesar dele depois largar um pouco de mão a tendência ao espaço sideral.

A melhor música do álbum é a abertura, “Let There Be Light”, uma “meio marcha meio cantata” em cima de órgão muito bem instrumentada. É a primeira música que o Roger Waters e o David Gilmour compartilham vocais e já de cara é notável o quão impressionante essa dupla se torna quando dividem o microfone e a bateria conduz a música inteira com o baixo e a guitarra funcionando mais como um instrumento harmônico do que melódico na batida da marcha. É uma ótima abertura da carreira do Roger Waters como compositor principal da banda e um bom primeiro passo do disco.

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