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Resenha: Trip (2017)

Álbum de Jhené Aiko

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Maconha meio mofada

Por: Roberto Rillo Bíscaro

17/09/2020

Jhené Aiko parece personagem dessas séries modernas de TV que querem passar desesperadamente imagem de paz étnica nos EUA. Filha da mãe nipo-americana e pai afro-americano, a moça circula nos meios musicais desde o início do milênio, mas seu álbum de estreia por grande gravadora veio apenas em 2014, com Souled Out. Compensou a espera, porque Aiko desfrutou de sucesso comercial e crítico, descolando 3 indicações pro Grammy, em 2015.

Dia 22 de setembro de 2017, a cantora lançou de surpresa, seu segundo trabalho: Trip. Na era dos vazamentos na internet, ela conseguiu surpreender no marketing gerado pela “inusitado” do lançamento. Pena que as surpresas tenham parado por aí.

Trip significa viagem, que pode ser entendida em sentido alucinógeno, vide o número de canções com títulos como Lsd, Sativa, Psilocybin, Mystic Journey, Trip, mas também em termos de egotrip, como em Jukai, que alude ao salvamento de alguém que tencionava se suicidar na conhecida floresta japonesa famosa por esses atos. Parece que Aiko quis fazer álbum conceitual de soul psicodélico.

Mas, a jornada proposta provavelmente só poderá ser desfrutada por alguém viajando sob os efeitos de algum dos narcóticos de escolha da cantora. Trip é longo demais pra muito pouca variedade nos arranjos, ritmos e andamentos. São mais de 80 minutos de música lânguida, de electronica diluída, com uma ou outra diferençazinha, tipo aqui um pianinho ou trompete jazz, mas o essencial acaba parecendo a mesma canção, não depois de muito tempo que se começa a ouvir o álbum. O único número mais animado é OLLA, que sequer chega a ser dance mediano e mesmo para os chapados deve cortar a viagem malemolente do restante.

No mesmo 2017, o essencial Brown Sugar, do D’Angelo, completou 20 anos. Confira a faixa-título, ode meio mal disfarçada à maconha, e veja como reduz todo o álbum de Jhené Aiko à pó, ou fumaça. Ou whatever.

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