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Resenha: Union (1991)

Álbum de Yes

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A reunião pode ter suas controvérsias, mas rendeu um ótimo fruto

Autor: Marcel Z. Dio

16/09/2020

Guardo ótimas lembranças de Union. Até por que foi o primeiro compact disc que comprei, juntamente com Power Windows do Rush, isso numa época em que o dólar estava em igualdade com o real, então, cds importados eram facilmente adquiridos por volta de 95 / 96.
Sei que muitos não levam essa união a sério e malham o disco sem a menor parcimônia. Encontro nele um elo entre o Yes clássico e a forma moderna que Trevor Rabin aplicou na banda, diria que é o equilíbrio perfeito entre esses dois mundos do Yes.

Contudo, sabemos que essa dita reunião não foi um churrasco de confraternização ou uma roda de amigos que se encontram depois de muito tempo para comemorar algo. Haviam questões judiciais e o nome pertencia a Chris Squire, e por pressão sei lá de quem, resolveram unir ABWH (o projeto com disco lançado em 1989) e voltar com o nome Yes. Não era um grupo de pagode, no entanto estavam ali nada menos que oito integrantes, sem falar em uma série de músicos adicionais como : Tony Levin, Billy Sherwood e Steve Porcaro.
Infelizmente a guerra de egos foi inevitável e os únicos confortáveis nessa empreita foram Jon Anderson e Chris Squire, obviamente por não terem que dividir seus postos.
Rick Wakemam chegou a chamar Union de Onion (cebola em inglês) e dizer que só faltou o Papa participar do disco. Por ai a gente imagina o clima de Trevor Rabin e Steve Howe, figuras que nunca se bicaram, haja visto as performances de Howe para Owner of a Lonely Heart, ao qual a má vontade quando toca, pode ser vista como caso de vergonha alheia, o esforço de Howe para estraga-la nos concertos, é sobre-humano.
Ressaltando ainda que octeto sequer chegou a gravar junto no processo de criação, o disco foi todo fracionado nesse sentido. Por vezes, um, dois ou três membros criavam e produzia tal canção e as enviava para o álbum, por isso temos uma penca de produtores. Reunião mesmo foi na turnê.

Entre tantos problemas internos, Union surpreende. De certo poderia ser mais enxuto em seu tempo, com numero reduzidos de faixas.
Navegando pelo disco encontram-se pequenas pérolas como I Would Have Waited Forever, Shock to the System e Miracle of Life, as duas últimas com um peso adicional nos riffs de guitarra. Sem dúvidas Miracle of Life é uma das melhores canções do Yes, a mostra de que o progressivo unia-se com pitadas de heavy metal de forma brilhante e sem os malabarismo enjoativos do dito prog metal. Dessa forma Silent Talking seguia o mesmo traço de Miracle of Life com o aditivo de um belo final folk na tradição dos vocais sobrepostos.

Outra boa pedida fica por Masquerade (composta por Steve Howe), uma peça instrumental de violão, e tão bela quanto Mood for a Day.
Union ainda tem temas mais introspectivos embalados pelo kit gigantesco de bateria eletrônica de Bill Bruford, em canções que vertem um tanto para World Music. Portanto é um trabalho rico em passagens instrumentais e que não podem ser assimiladas em uma tacada só, precisa de algumas audições para perceber a riqueza dos detalhes.

Fica a dica para o DVD Yesyears - A Retrospective, que possui vários trechos da tour de Union e também dos bastidores desses shows. Não darei mais detalhes sobre o DVD, porque o meu ainda é VHS e faz um tempão que não vejo. Se o cacau$ estiver sobrando compre "Yesyears" e também o disco resenhado, vale a pena.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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