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Resenha: Uns (1983)

Álbum de Caetano Veloso

MPB

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A criatividade de Caetano Veloso em diversos estilos musicais

Autor: Débora Arruda Jacó

16/09/2020

Como se diria em Portugal: estou cá, a ouvir o trabalho de um dos maiores cantores e compositores do Brasil: Caetano Emanuel Viana Teles Veloso ou simplesmente, Caetano Veloso. Dono de uma carreira consistente e vitoriosa, esse grande letrista (poeta!), cantor e violinista sempre teve como qualidade estar aberto às novas tendências musicais e aos ritmos do Mundo. Também tem o dom de transformar aquelas canções, que às vezes podemos considerar “bregas” em clássicas – casos de “Sozinho” do Peninha e “Você não me ensinou a te esquecer” de Fernando Mendes. “Uns” é dos álbuns mais interessantes e que demonstram a habilidade que Caetano tem em transitar por variados estilos musicais. A capa é bem legal: fotografia do Caetano com dois de seus irmãos e na contracapa, com seus pais. Muito fofo!

Iniciando a análise: “Uns”, a faixa título é um maracatu que atesta o quanto o cantor transita em diversos estilos musicais e também apresenta a grande habilidade que tem na utilização das palavras para construir versos.  No caso aqui, Caetano brinca com o artigo indefinido “uns” (desde a capa) até a repetição nos versos (uns quase iguais/uns menos/uns mais...). O recurso da repetição é novamente utilizado na segunda faixa, “Musical”: A curiosidade é que dessa vez, o compositor é Péricles Cavalcanti. (tudo é um/tudo é mil/tudo acaba e nada tem fim).
A terceira faixa é “Eclipse Oculto”, de longe é a minha preferida – por sua pegada pop-rock, na verdade, uma delícia de música contagiante. Embora, seja um “rock” tem em seus versos, a temática amorosa. Algum tempo depois, o Barão Vermelho regravou e o resultado foi bom. A quarta faixa, “Peter Gast” apresenta versos confessionais que tratam do silencio e da solidão. A canção foi inspirada em Peter Gast, um músico amigo do filosofo Nietzsche. A seguir, temos a faixa “Quero ir à Cuba” – uma canção bem alegre, com arranjos caribenhos “kubanacan”, por assim dizer. Caetano nunca escondeu sua admiração pelos ritmos latinos.
“Coisa mais linda”: considero como “irmã” da próxima faixa que é sua sucessora – “Você é linda”. “Coisa mais linda” segue a linha de “Você é linda”: suave, ao violão e com versos enaltecendo a amada. Se há um cara que toca bem violão aqui no Brasil esse é o Caetano. A faixa “Você é linda”, dispensa comentários e é uma das músicas de maior sucesso do compositor. Impecável.
“Bobagens, meu filho, bobagens”: lembra um pouco no início, “Você na entende nada” – mas a letra não tem em nada comum (senti no seu olhar tanto prazer/posso esperar tudo com você...). É uma faixa bem radiofônica. “A outra banda da Terra” também é uma faixa bem legal – o título é uma referência à banda que acompanhava o cantor nos shows, responsável por belas performances. A versão ao vivo da música “Terra” (que não faz de “Uns”, para esclarecer) com a “Banda” é maravilhosa.
“Salva – vida” é o primeiro, dos dois duetos com a mana, Maria Bethânia. No andamento do trabalho é legal – trata no geral, do mar e daqueles que estão envolvidos no ambiente marítimo, o “Belo salva-vidas”. E finalizando: não sou grande fã de samba, mas a faixa “É hoje” é uma das que eu mais gosto desse trabalho – o samba enredo da escola União da Ilha. Caetano é acompanhado por Bethânia (como mencionei anteriormente). Essa música passou muito nas rádios. 

“Uns” (o álbum) é uma das melhores realizações artísticas de Caetano Veloso. Vale a pena conhecer!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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