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Resenha: The Absence Of Presence (2020)

Álbum de Kansas

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Um retorno com tudo

Autor: José Esteves

16/09/2020

Kansas é uma daquelas bandas que não precisam de apresentação: eles provaram a capacidade deles com álbuns como Leftoverture e Point of Know Return na década de 70 e poderia estar vivendo confortavelmente apenas com os lucros de licenciamento de “Carry on Wayward Son”. A única mudança no elenco do 15º álbum “The Prelude Implicit” (que é apenas parte do elenco principal da banda) é o tecladista, que mudou de David Manion, citando “a busca por novas oportunidades”, para Tom Brislin. O álbum foi bem recebido, apesar de estar muito cedo em sua data de lançamento para ser comentado.

Muitas bandas quando lançam material anos depois de o seu pico falham em apresentar algo com muita energia ou algo muito impactante para a carreira da banda. Por alguma razão, Kansas decidiu fazer um rock progressivo com a qualidade que publicava na década de 70. A instrumentação está fantástica, em especial o violino de David Ragsdale está em termos iguais com a guitarra de Rich Williams, veterano da banda, que consegue fazer excelentes solos para as músicas, e o baterista Phil Ehart, que consegue variar de uma forma divertida dando ao álbum subidas e decidas. Infelizmente, o vocalista Ronnie Platt tenta uma imitação forçada do Steve Walsh, que apesar de funcional, não varia muito como um vocal original variaria.

A produção das músicas está fantástica, apesar de algumas delas terem elementos de épocas estranhas para a música que o álbum se propõe, em especial as baladas. Em vez de baladas puxadas para os anos 70 (músicas que o Kansas sempre foi muito capaz de executar), as duas baladas do álbum (“Never” e “Memories Down the Line”) reúnem todos os elementos característicos da balada dos anos 80. Fora essas duas, e “Circus of Illusion” que não convence muito, todas as músicas são de um rock progressivo fantástico, cheio de solos de teclado e violino. A inclusão de um instrumental de qualidade (“Propulsion 1”) prova que a banda não precisa provar mais nada a ninguém, tanto no hard rock (“Throwing Mountains”) quanto nas mais experimentais (“Animals on the Roof”).

A melhor faixa, de longe, é a abertura “The Absence of Presence”, um rock progressivo que merece um lugar eterno nas compilações de melhores faixas do Kansas do lançamento desse álbum até o futuro. Um rock progressivo com fases de violino, subidas e decidas instrumentais, um teclado que na primeira vez pega de surpresa e se apresenta dissono, mas depois começa a criar um relacionamento semi-simbiótico com os violinos, misturado com o vocal que ainda engana como sendo o do original do Kansas. Essa faixa tem a mesma qualidade das faixas do Leftoverture.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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