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Resenha: Dreamboat Annie (1975)

Álbum de Heart

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Um álbum inteligente e com um dos melhores vocais do rock

Por: José Esteves

15/09/2020

Por ser um disco de estréia da banda, a tarefa de contextualizar musicalmente o momento do grupo se torna difícil. A banda começou como The Army, fundada por Steve Fossen, no baixo, e Roger Fisher, na guitarra, até mudar o nome para White Heart (ou Hocus Pocus), e depois mudar para só “Heart”. O irmão de Roger, Mark, havia sido convocado para o exército, e fugiu para o Canadá. Em uma das vezes que ele pulou a fronteira de volta para ir nos shows do irmão, conheceu Ann Wilson; eles se apaixonaram, e ela voltou com ele para o Canadá, antes do resto da banda fazer o mesmo, adicionando Ann ao grupo. Algum tempo depois, Nancy se envolveu romanticamente com Roger e também entrou na banda, como guitarrista. Junto com alguns instrumentistas de estúdio, os quatro lançaram “Dreamboat Annie”, álbum que foi muito bem recebido, tanto comercialmente quanto criticamente. O disco alcançou certificação platina e fez tanto sucesso que criou uma fissura no relacionamento com a gravadora.

Acima de tudo, é um disco inteligentemente produzido: ele tem todas as armas para ser um dos melhores discos de todos os tempos, e usa essa armas eficientemente. Teria sido muito fácil errar a mão, principalmente na ordem das faixas, mas acertaram exatamente como tinha que ser. Instrumentalmente, o disco é basicamente as irmãs Wilson com o guitarrista Roger Wilson fazendo tudo, com o resto fazendo base: normalmente, isso seria um problema, mas as composições foram escritas pela Ann Wilson com o propósito de fazer o vocal da Ann Wilson se sobressair, e o vocal da Ann Wilson se sobressai. Ela é uma monstra. As músicas variam entre hard rock, prog, folk rock, alguns elementos de blues, algumas mais ácidas, algumas mais psicodélicas, não importa, a Ann Wilson faz o vocal perfeito para as músicas, com uma voz linda.

As músicas variam radicalmente de estilo, o que funciona muito bem para esse tipo de álbum. Ele começa com “Magic Man”, que é um rock calmo com elementos de blues em que a voz da Ann é bem comedida e doce, com alguns momentos mais explosivos, e depois vai para “Dreamboat Annie (Fantasy Child)”, o tema principal do disco, que se repete mais duas vezes com variação de estilo. Quando chega em “Crazy on You”, que é um hard rock clássico década de 70, ela explode no vocal e a partir daí, o vocal dela só faz o que quer. Nas mais ácidas, como “Sing Child”, ela faz um vocal psicodélico e variado que explora os elementos mais interessantes desse tipo de coisa, e na balada “(Love me Like Music) I’ll Be Your Song”, ela fica bem doce e melódica, parecendo ser duas pessoas. Facilmente, Ann Wilson é a melhor vocalista mulher do rock, podendo competir de igual pra igual com o Freddie Mercury pelo primeiro lugar do rock como um todo.

A melhor faixa do álbum é “Soul of the Sea”, um folk rock que começa bem calmo, bem praiano, até entrar uma quebrada bem “A Day in the Life” que dá uma vida nova por algumas estrofes. Ela é tão bem feita, e tão bem engenhada, que permite a Ann fazer o que ela bem entende, variando radicalmente de estilo de vocal no meio da música, criando momentos verdadeiramente épicos para o disco naquela época. Esse disco foi um sucesso no Canadá por conformar as leis de radio canadenses, mas o fato de que os canadenses gostaram disso surpreende, ainda mais para a época.

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