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Resenha: Stone Temple Pilots (2018)

Álbum de Stone Temple Pilots

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Agradável surpresa na estreia de Jeff Gutt

Por: Débora Arruda Jacó

14/09/2020

Confesso que quando coloquei no CD player, o novo  álbum do Stone Temple Pilots, o primeiro com o vocalista Jeff Gutt, tive uma agradável surpresa. Na realidade, comprei o CD para completar a minha coleção e acabei gostando! Sou daquelas que ficam desconfiadas quando um grupo faz substituições: em especial, se for a troca de vocalista, ou seja, o “Frontman”. Porém, minha desconfiança fica amenizada, quando recordo que na história do Rock temos alguns exemplos bem sucedidos: AC/DC, com a substituição de Bon Scott (falecido) por Brian Johnson; Van Halen, tendo Sammy Hagar substituindo David Lee Roth e o Genesis que com a saída de Peter Gabriel, decidiu após vários testes, que Phil Collins  seria o substituto ideal. No Brasil, temos o Barão Vermelho que teve Roberto Frejat como vocalista, após a saída de Cazuza, para sua bem sucedida carreira solo.
No caso do Stone Temple Pilots, a substituição foi necessária, devido a forças maiores: os dois vocalistas do grupo, infelizmente morreram. O primeiro, Scott Weiland (1968-2015) até já havia sido demitido devido aos problemas causados pelo vício em heroína, mas qualquer esperança de entendimento entre o cantor e o grupo para um eventual retorno, foram dissipadas com o falecimento do cantor. Em 2013, Chester Bennington (1976-2017) foi convidado a assumir os vocais em substituição de Scott.  Chester  porém,  pediu para sair em 2015 (de forma amigável). Mas o destino, mais uma vez, pregava uma triste peça: Chester Bennington, infelizmente cometeu suicídio em 2017 acabando de vez com qualquer expectativa de retorno. 
Depois de vários testes (incluindo mulheres!), os membros remanescentes escolheram o vocalista Jeff Gutt – conhecido por participações em realitys shows (parecidos com o The Voice Brasileiro). Após esse processo, o próximo passo fora a gravação do novo álbum. Lançado em 2018, apresenta na capa uma borboleta sem coloração, mas com detalhes “minuciosos” e na parte interna, uma fotografia dos rapazes - além de ter um encarte incluindo as informações técnicas e as letras das músicas. O grupo dedicou o álbum aos dois vocalistas póstumos.

A primeira faixa, “Middle of Nowhere” tem um riff enérgico e interessante: Jeff começa muito bem, mas do nada me recordei do ex- vocalista do Genesis, Ray Wilson. Mas somente nessa primeira faixa. A próxima faixa é “Guilty”: não é música da Barbra Streisand, mas é bem interessante. Dean Deleo deu uma caprichada nos riffs, bem acompanhados pela linha de baixo de Robert Deleo e a cozinha de bateria de Eric Kretz.
“Meadow”, talvez a faixa mais conhecida (regularmente é executada nas rádios de rock). A primeira vez que a escutei no rádio, não identifiquei ser uma faixa do STP – somente após o locutor falar de quem se tratava é que a minha “ficha” caiu. Começa com um riff bem legal, um ritmo “meio dançante”. A seguinte: “Just a Little Lie”, apresenta também um solo de guitarra consistente, além da linha de baixo competente – acompanhados pela boa execução de bateria. A letra trata de “mentira” e o riff de guitarra no final é “matador”.  A faixa que segue “Six Eight” me trouxe vagamente, a lembrança do blues – porém, um blues agitado e Jeff apresenta uma entonação mais alta, especialmente no refrão da canção.
A próxima faixa é “Thought She’d Be Mine”, é a que eu mais gostei. Apresenta um arranjo bonito e suave. Jeff interpreta muito bem, emprestando a suavidade que os versos românticos da canção pedem. Não sei explicar, mas de início pensei que o compositor principal da música fosse Robert Deleo e só depois de ler os créditos, vi que o primeiro nome que estava era o do Dean Deleo... É que geralmente, sempre associo as letras “mais” românticas ao Scott ou ao Robert. Romântica que sou, é de fato a faixa que mais tocou meu coração. A seguinte é “Roll Me Under”: é uma faixa mais pesada, com guitarras mais “agressivas”, mas sem deixar de serem melódicas. Tanto em faixas mais agitadas como nas mais lentas, os irmãos Deleo demonstram grande habilidade para criar belas melodias.
“The Art of Letting Go” é uma balada bonita, cantada com sentimento. A letra é confessional: trata-se de alguém que não tem mais forças para ir adiante, quer descansar. (... Estou tão cansado de sempre entrar e sair...). Na íntegra, é uma letra triste: essa faixa e a próxima são dedicadas aos dois vocalistas que se foram: Scott e Chester.  A faixa “Finest Hour” é mais uma que nos remete à melancolia e também fala de adeus e saudade. (Você nunca disse adeus/Deixou um vazio que é como nenhum outro/Eu sei porque é verdade...). Além de ótimos músicos, os caras têm habilidade para escrever belos versos.
“Good Shoes” é um rock acelerado e bem legal: apresenta um bom trabalho instrumental, como sempre guitarra, baixo e bateria se complementam bem.  A introdução da guitarra no inicio é forte e interessante. A última faixa “Reds & Blues” foi a que achei mais fraca – fica um pouco cansativa (mais ou menos) na metade, mas nada que comprometa o trabalho. Apresenta letra pessimista – o que pode explicar um pouco a monotonia.

Enfim, o álbum Stone Temple Pilots (2018) representa a “ressurreição” de um grupo que passou por vários percalços. A escolha do vocalista Jeff Gutt foi acertada.  Esse álbum é sim, a “ressurreição”, além de uma bela homenagem aos amigos que partiram.

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