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Resenha: Machine Head (1972)

Álbum de Deep Purple

Acessos: 80


O melhor álbum de todos os tempos

Autor: José Esteves

13/09/2020

Com dois sucessos mundiais gigantes na forma do “In Rock” e “Fireball”, não só a banda atravessava um momento muito positivo quanto a retorno e liberdade, ela também era vanguarda no processo de criação de um novo som que moldava a década nos anos que iam vir. O disco não foi fácil de fazer, com mudanças de local de gravação e o cantor, Ian Gillan, contraindo hepatite, mas quando lançado, sacudiu o mundo do rock: foi o maior sucesso da carreira da banda, sobrepujou a maior parte das paradas globais e alcançou duas certificações platinas.

Esse disco é o pico do que a arte humana representa na forma de hard rock. Ele é claramente dividido em dois estilos que se alternam: hard rock beirando ao heavy metal e blues rock da melhor qualiade. Nesse álbum temos Richie Blackmore fazendo os melhores solos de guitarra da carreira dele, o Ian Gillan fazendo o seu melhor (gritando), Ian Paice conduzindo freneticamente com a ajuda de Roger Glover e o Jon Lord imbutindo fantásticos solos de teclado. Todas as músicas são incríveis e não tem um ponto baixo a empreitada de 40 minutos toda.

Por conta da alternância proposital da estrutura do álbum, o disco acaba tendo uma forma interessante. O começo é esse heavy metal de gritos e velocidade, com guitarras e teclados acompanhando os berros do Ian Gillan (“Highway Star”), seguido pelo blues relaxante com altos solos de guitarra cheios de alma (“Maybe I’m a Leo”). A revolta de uma guerra com saudade e pesar no frio das montanhas (“Pictures of Home”), a saudade de um amor perdido na forma de uma balada melancólica (“Never Before”). O bahamute de reconhecimento e fama com um riff instantaneamente reconhecível (“Smoke on the Water”) ensanduichando um jazz blues rock experimental e improvisacional (“Lazy”) com um rock cósmico com um baixo acompanhando uma guitarra psicodélica (“Space Truckin'”).

A melhor faixa do disco é a terceira, “Pictures of Home”. O vocal é melancólico sem perder a velocidade que o riff maravilhoso de guitarra imprime, tem brecha para todos os membros deixarem sua marca (ou seja, existe solo de tudo, com ênfase no solo de teclado do Jon Lord e no solo de baixo do Roger Glover, duas obras primas) e ela não tem gasta nem um segundo sendo nada além de perfeita. Essa música, possivelmente, é a melhor música da década de 70.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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