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Resenha: Jack Of All Trades (2018)

Álbum de Lack of Afro

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Branquelo fazendo black music de primeira

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

12/09/2020

Quando se ouve o som de Adam Gibbons, estereotipicamente imagina-se um norte-americano afro-descendente. Mas, seu nome artístico é Lack Of Afro e lack significa “falta”. Falta mesmo muita melanina para esse britânico de olhões azuis ser afro, mas ele compensa isso com música calcada em ritmos negros.

Multi-instrumentista, compositor, produtor, remixador, arranjador, Lack Of Afro é pau pra toda obra, como se traduz Jack Of All Trades, título de seu sexto álbum.

Com 11 faixas caleidoscopicamente variadas em estilo, Jack Of All Trades pode ser epitomizado na faixa de abertura, Back To The Day, que soa como se o Jackson 5 e o Earth, Wind and Fire tivessem cronometrado tempos para fazer um som que representasse seus auges. Sincretizando disco music com rap rapidinho e metais caribenhos, na carnavalesca Only You & Me, Lack Of Afro desenvolveu produto que parece coletânea de maiores sucessos: tudo presta.

Esse aspecto de compilação se deve não apenas à diversidade de ritmos, mas porque cada faixa tem um(a) convidado(a) nos vocais. O que poderia resultar numa colcha de retalhos caótica é costurado e customizado com a eficaz e e(s)xperta produção de Lack Of Afro.

Ele sabe o que quer e como quer soar, além de dominar os subgêneros pelos quais flana com desenvoltura. Soul derivado da Motown, mas com ar de soul contemporâneo retrô, em Baby Be Mine. Soul mais tradicional, como em Reach Out, que até no nome, sabe à qual tradição pertence. Rock suingado funkoso, como em Over & Out. Rap/hip hop alegrinho, como em Back In Business e Take It Up a Notch. Funk, como na instrumental de baixo obeso The Messin’ Around Intermission ou no vocal feminino da saçaricante Good Love.

Prioritariamente festável, Jack Of All Trades traz um par de respiros, como o soul de Don’t Do Me Over, que Mick Hucknall ou Paul Weller adorariam ter em seus álbuns. Nem o folk meio easy listening de Home soa fora do lugar, porque tem cheirinho gospel.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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